quarta-feira, 8 de maio de 2013

... Mano Velho...


Fui aquela criança que conheceu comprimidos e xaropes bem cedo, já tive muitos remédios diferentes em meu organismo. Hoje em dia faz parte da minha rotina, mas o melhor de todos eles é um bem conhecido da grande maioria, um remédio que não tem efeito colateral, que é até mesmo um grande clichê, porém o mais verdadeiro deles... O tempo.

Três anos e meio depois da minha descoberta e encontro-me em um novo momento de vida. Um momento quase pleno comigo mesmo. Nesse tempo todo quase sempre em ótimo estado de saúde. Aprendi a ver outros pontos de vista, aprendi a julgar menos, aprendi a olhar mais atentamente para as pessoas pois aprendi a olhar melhor pra mim mesmo. Perdi-me em algumas coisas, mas isso foi muito devido aos medos que também brotaram, tempo esse que também teve sua importância. Hoje chego inclusive a retomar um lado mais irônico e consigo - até mesmo- olhar com humor para várias situações que passei. Ando leve e forte, bem mais forte. Quanto tempo vai durar eu não sei, mas deixe que o próprio tempo resolva. Tenho retomado minha fé. Fé de que coisas boas virão, fé de que o que fiz aqui neste espaço nesse tempo não foi por acaso, fé de que ficarei bem comigo mesmo e de quando for para ficar bem com alguém será da melhor forma, no seu tempo certo.

Estava olhando agora pouco um texto sobre as fases do luto e de como elas acontecem com todos, mas em cada indivíduo o tempo entre cada uma pode variar muito. O texto diz bem específico sobre o luto e perda de alguém, mas é bizarro como se enquadra neste contexto pois o luto existiu, não sou o mesmo e nem teria como ser. Diante disso, olho hoje para outros em condições iguais ou semelhantes a minha e torço para que consigam aceitar o quanto antes pois chega a ser doloroso não poder fazer nada para amenizar. Entendo meus amigos e agradeço por este espaço onde pude tornar realidade algumas fases que passei e sem dúvida compartilhar tudo isso foi fundamental para o meu Tempo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Do copo totalmente vazio até a libertação


Mini Flashback por favor!

"... mas o que eu faço se minha vida não combina mais comigo?"

Sexta passada... um dia como os últimos... o sol abriu... praia... de noite um evento... uma balada... Despedida para um dos meus melhores amigos e quem mais tempo dividiu uma casa comigo. Claro que não estaria bem... adicione questões de moradia que preciso resolver me menos de um mês... adicione a pessoa que você ama com seu novo relacionamento... Claro que não ia prestar... chorei a festa toda... tentei tomar decisões mas nada me acalmava... pânico. Voltei pra casa e tentei dormir... ao acordar descobri que estava em meu limite, talvez com o copo todo vazio... no fundo do poço como dizem... Quis morrer, mesmo. Diferente de me matar (Não tenho coragem e não pretendo fazer isso em momento algum!), mas queria morrer...queria paz... fechar os olhos e enfim libertar esse peso na minha cabeça... em meu corpo. Mando uma mensagem completamente ambígua e que deixou o receptor assustado... me ligou e não consegui dizer o que queria... ele avisou pessoas próximas que começaram a manifestar preocupação... levantei e fui andar...queria sumir. Eu que quase nunca abro minhas feridas para não amedrontar minha família e amigos estava caído... não consegui disfarçar... resolvi sumir..mesmo. 

Comprei uma passagem e em uma decisão de minutos fui parar na noite de sábado em um hostel em Belo Horizonte.. acordei cedo no domingo e fui para um dos lugares mais incríveis do mundo. Inhotim. Pedi sinais.. pedi calma... pedi a capacidade de organizar meus pensamentos, e, como que em um sonho, adentro uma galeria onde fico exatamente no lugar da pessoa da imagem..

                                                                                  (Swoon - Janine Antoni)

Um grande espelho onde eu me via com as cortinas de um palco... um casal em cena dançando... uma música sendo alternada com a respiração e sons do palco... Momento mágico, único e salvador... Chorei, fiquei arrepiado. O reencontro que tanto pedi neste tempo todo... o reconhecimento dos meu olhos, da minha vida ali... bem na minha frente. Depois disso me senti aliviado e aproveitei cada minuto deste lugar incrível e ao final do dia, como que em um quebra-cabeça, eu consegui organizar meus pensamentos... consegui me sentir liberto. Consegui libertar dores, sofrimentos e Pessoas. Um ciclo se fechou e estou aqui, pronto para iniciar um novo... um grande resgate. 

Até uma analogia bem "minha cara" consegui fazer... mas essa fica para o próximo texto. Escrevi muito nesse tempo desde que descobri minha doença... Conversei muito... Refleti muito. Deixei muita gente triste, preocupada e talvez até com raiva de mim. Hoje mudo um pouco e parto para a ação propriamente dita. Demonstrarei essa mudança, essa decisão, pois pensando em um texto de Cora Coralina, hoje eu decidi! Queria me desculpar, queria o perdão de algumas pessoas, queria não perder amizades importantes mas não posso ter o domínio disso e espero que aos poucos consigam ver em meus atos essa mudança, essa retomada da alegria pois PRA MIM é o mais importante, afinal, alegria é o que combina comigo né?!

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Saiba Disso!


Dia desses veio um rapaz falar comigo em um desses aplicativos de relacionamentos. Ele veio comentar que não entendia o motivo de eu colocar em meu perfil o fato de ser soropositivo, estava claramente incomodado com aquilo. Eu respondi e fiquei sem entender muitas coisas.
Por qual motivo alguém entra no perfil de um desconhecido e se sente na necessidade de julgar alguém, assim, "de graça"? É tão difícil aceitarem um soropositivo que, hoje, enfim conseguiu digerir este contexto e está aprendendo a fazer dele apenas mais uma informação sobre quem ele é?

Por conta do livro hoje começo a sair do virtual e caminhar cada dia mais para o real, este é o motivo da minha ausência aqui, além - é claro - do fato de estar em um momento bom, o que reduz aquela energia e criatividade originária da dor e do sofrimento. Crises de 5 minutos cada vez mais espaçadas que me fazem olhar para outras coisas, me preocupar com outras questões.

Resumindo... estou aqui, estou bem e cada dia aprendendo mais com tudo isso. Cada dia correndo um pouco mais atrás dos meus sonhos e objetivos. Estou aqui, de cara limpa e sentindo uma liberdade incalculável em poder dizer para quem for que sim, sou soropositivo, não me orgulho nem um pouco, mas aprendi a não me envergonhar. Quer gostar de mim? Saiba disso... Quer ser meu amigo? Saiba disso... Quer me dar trabalho? Saiba disso... Quer me odiar, criticar ou julgar? Saiba disso, e aprenda que olhar para si, para a SUA VIDA é o melhor caminho para deixá-la positiva!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Evento Fnac Pinheiros Jan-2013



Vídeo lindo feito pela Tomada Produção Audiovisual no evento "Uma Vida Positiva" na Fnac Pinheiros de São Paulo agora em janeiro. Um pouco do bate papo, leitura e uma edição voltada para mostrar o projeto como um todo auxiliando na busca dos patrocinadores!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Adeus Peter...


Existe uma sequência do livro do Peter Pan que ganhou um concurso em Londres, "Peter Pan Escarlate". Neste livro, aos poucos, você vai sentindo a mudança do Peter Pan para o Capitão Gancho... Acho isso incrível, genial!

Minha relação com a infância sempre foi enorme, algumas vezes pensei que eu poderia ter a conhecida síndrome de Peter Pan, mas depois vi que não. Apenas gosto de manter um lado jovial e infantil. 
Hoje sinto esta mudança para o Gancho, sinto o crescimento e isso veio com a doença.
Quando me descobri soropositivo o choque de realidade é muito grande, o entendimento sobre a morte, sobre as perdas, sobre a sociedade, sobre relacionamentos... Muita coisa junta que, muitas vezes, impede aquele sonho mais puro e ingênuo.

Se estou feliz com tudo o que esta acontecendo comigo? Claro que estou. Como artista, como comunicador eu consegui obter um bom resultado, um reconhecimento... Portas estão se abrindo. Mas não é uma conquista advinda apenas de coisas boas e isso deixa tudo em um plano muito confuso.

A responsabilidade que carrego hoje é muto grande, a necessidade de me estruturar financeiramente, as decisões que tenho que tomar diariamente são sérias e as dores de um amor perdido não são de um amor platônico, adolescente. São dores reais, de gente grande, Como passar por tudo isso? Não sei... Estou aprendendo aos poucos, descobrindo... Estou aos poucos me tornando no Capitão Gancho. Mas que ao menos a Sininho permaneça ao meu lado...

*Foto: Renato Sanches


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Evento Fnac Pinheiros - São Paulo


Deixo aqui o convite,

Estarei amanhã na FNAC Pinheiros participando de um Bate Papo, de leitura de trechos do livro e a tradicional noite de autógrafos.

Para quem estiver por perto e quiser dar esta força para o evento, fico agradecido!!


sábado, 12 de janeiro de 2013

Ausência


Estou ausente deste meu universo aqui, eu sei. Não é culpa minha. Tudo novo, tudo muito rápido. Correndo, acreditando, lutando.
Um grande estímulo para a escrita, em muitos casos, são questões amorosas e comigo não é diferente. Então, escrever como se isto esta parado, vazio, em um mundo paralelo? Meus sentimentos talvez tenham sido correspondidos, mas e quando isso não é o bastante? O que fazer quando o amor não é suficiente, quando falta coragem?
Tento seguir em frente para amenizar, para curar... Já dizia uma grande voz das animações (rs): "Continue a nadar, continue a nadar... Para achar a solução, nadar, nadar!" 
Estou nadando... estou tentando. Não sem sofrimento, mas com verdade. Espero ser suficiente.
Focar no trabalho? Nas oportunidades que estão aparecendo? Ótima ideia, mas que não vire fuga total...

Só consigo ouvir isso ultimamente...


Letra e tradução aqui ;)

Ben Harper - walk away -traducao