segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Pausa...


Mesmo sem tomar o Efavirenz - ele é tão forte que permanece por volta de 20 dias no organismo - passei uma semana tendo uma insônia absurda, praticamente não dormi uma semana inteira, conseguia cair no sono muitas vezes somente lá pelas 7 horas da manhã e estava de pé antes das 10h.
Chegou meu retorno ao médico do projeto, e após a equipe averiguar a situação atual, a melhor opção foi pedirem uma Pausa neste final de ano. Devo viajar o que deixou todos preocupados em iniciar um novo tratamento, já que se ocorresse algum efeito colateral forte eu estaria longe.
Estou dizendo que tive a chance de aproveitar minhas últimas férias sem a rotina, e pretendo mesmo aproveitar cada dia sem ter o alarme tocando ás 7 da manhã para os primeiros comprimidos do dia.

Tive retorno na minha médica do Hospital, ela já ciente de todo o ocorrido comenta algo que eu já havia percebido. É fato que não era minha primeira opção tomar a medicação agora, mas imaginem se ao invés de estar com uma equipe grande e atenciosa além do meu excelente estado de saúde, eu estivesse mais debilitado quando descobrisse a alergia hein?

Acho que muitas coisas acontecem exatamente quando tem que ser...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Efeito Colateral


Passei relativamente tranquilo a primeira semana de remédios, tudo ia bem até que exatamente uma semana depois, tomo a medicação da noite e 30 minutos depois, quando fui tomar banho, reparei em algumas manchas vermelhas no meu corpo, achei estranho mas já estava tarde e fui me deitar. Ao acordar desespero, meu corpo todo estava tomado por machas vermelhas, do pescoço até os pés... fiz duas provas e corri ao hospital!
Eu, que nunca fui alérgico a nada na vida, hoje descubro que a medicação que iria me ajudar não serve pra mim. Tive uma reação alérgica com o Efavirenz.
Algumas manchas aparecerem chega a ser normal, os médicos disseram, quando isso ocorre o paciente toma anti-alérgico até que o organismo se acostume. Mas eu, entre todos os pacientes do projeto - sempre o "escolhido"- fui o que tive em maior escala e com isso o melhor é parar com a medicação e tentar outra combinação de antiretrovirais.

Lá vamos nós outra vez...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Adaptação


Uma de minhas qualidades, comentada inclusive por meus pais, é de que me adapto bem. Me adapto bem em grupos, em lugares, em situações... por isso esse não era meu medo ao iniciar a medicação.
Acabo de concluir minha primeira semana na rotina dos remédios. Com relação aos efeitos físicos, confesso que foi mais tranquilo do que eu esperava. Tive quase tudo que comentaram mas em uma escala muito pequena, muito pequena mesmo. Uma leve dor de cabeça, fezes levemente alterada, um leve enjoo ( principalente em carros e ônibus) e a pior de todas que foi a tontura. Essa me pegou um pouco mais, no primeiro dia parecia até que estava alcoolizado. Caminhava cambaleando, a cabeça pesada.
Com o remédio da noite tive o efeito contrário, ao invés de sono, ele me manteve acordado ( na verdade sempre fico acordado até tarde, acho que realmente não alterou nada em relação a isso), mas o sonhos... nossa, não foram pesadelos como disseram que poderiam ser, foram muitos sonhos, e se alternavam rápido.... me lembro de ter sonhos que já tive há muito tempo atrás, uma doideira só, mas já estão diminuindo também.
Agora, os efeitos emocionais, esses foram complicados. Sempre entendi e respeitei o tempo das pessoas. Sei que todos são bem ocupados com sua vida, mas nunca me senti tão sozinho, nunca. A segunda-feira foi o pior dia. Estava mal, não conseguia nem fazer minha comida e tive até mesmo a infelicidade de, inclusive meus pais e irmãos, esquecerem de mim. Eles que sempre são tão atenciosos e preocupados se descuidaram. Nunca quis tanto alguém para me fazer um carinho, mesmo sem dizer nada. E mais que isso, alguém que realmente me conhecesse...que estivesse comigo em toda essa fase de mudança.
Mas não tenho esse alguém. Mais um momento que passei por mim, com toda minha família e amigos em pensamentos, porém sozinho.
Hoje, depois de uma semana, não quero sorrir, não quero chorar. Quero dormir e descansar. Assim como a vida de todos, a minha continua seguindo...e o tempo não para.

domingo, 7 de novembro de 2010

O primeiro comprimido


Sensação de medo, aperto no coração, olhos apertados e sem força para conter as lágrimas, tristeza.
Assim foi a viagem mais longa de metrô da minha vida quando saí do hospital. Cheguei em casa e chorei, muito.
Depois do dia da descoberta do HIV em mim, esse talvez tenha sido o segundo pior dia. Dormi..estava exausto e precisava me fortalecer para dar a notícia para as pessoas, precisava passar serenidade.

Decidi tomar apenas no Domingo, eu tinha que trabalhar e estava com medo dos efeitos colaterais. Tudo foi estranho de quarta-feira até a madrugada do domingo. Continuei chorando durante os dias, um choro mais controlado. Choro que originava da sensação de medo, de perda da minha maior conquista na vida: minha liberdade. Liberdade essa que agora estaria sob a mira dos horários da minha medicação. O tempo, que eu ignorei por muitas vezes na minha vida, agora me controla...diariamente.
No sábado organizei os comprimidos, 3 por dia, já separados para toda a semana naquelas caixas específicas.
Não pretendia sair no sábado, mas acabei indo em uma festa... me diverti com colegas e amigos e chegou um momento em que eu estava sozinho, perto das caixas de som, e uma sequência ótima de músicas tocou, nossa como eu precisava daquele momento. Não pensei em nada...sorri e senti a música me dominando até que percebi que lágrimas tinham escorrido pelo meu rosto. Estava concluída minha "Despedida". Me despedi e voltei sozinho para casa. Olhei no relógio e eram quase 7 da manhã. peguei o primeiro comprimido, respirei e tomei.




Cedo ou Tarde?


Não escondi de ninguém a minha vontade de ficar no grupo que não tomaria os remédios...mas ao mesmo tempo em que quando me perguntavam: " Você quer que eu reze para você cair em qual grupo? " eu respondia: " Não sei...no que for melhor pra mim!".
Dito isso acordei na quarta-feira e no ônibus deu um baque, eu sabia em que grupo estava...sentia. Cheguei no hospital, meu sorriso não era o mesmo. Quando vi a enfermeira com a sacola, e escutei os barulhos dos comprimidos a ficha caiu totalmente. Confesso que tive que fazer um esforço para manter a respiração controlada, minha cabeça já estava a mil por hora... Ela me explicou tudo e me incentivou a tomar o primeiro ali mesmo, para ajudar a dar coragem. Recusei!
Me conheço, preciso fechar os ciclos, me preparar, me despedir, finalizar as coisas. Precisava de um ou dois dias de preparo, precisava respirar.
Passando pela psicóloga do hospital, sabendo da minha vontade inicial em não tomar a medicação, me perguntou: "Sabendo da possibilidade de estar no grupo que tomaria os remédios, porque ainda assim desejou participar da pesquisa?"

Estar em um local onde poderei ser bem assistido por uma grande equipe traz uma tranquilidade, cedo ou tarde terei que entrar nessa rotina, talvez seja melhor que seja cedo mesmo, quando ao invés de estar um pouco debilitado e tendo apenas o acompanhamento de uma médica, estou em ótimo estado e com um grupo todo me dando suporte, além é claro de não pensar só em mim, afinal esse estudo é para o bem de todos!

sábado, 6 de novembro de 2010

"Start"


Fui convidado pela minha médica a conhecer uma pesquisa que esta se iniciando, uma pesquisa em que meu perfil se enquadra exatamente. A pesquisa é para encontrarem a melhor estratégia para dar início ao tratamento Antirretroviral. Esse estudo é financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos E.U.A. e o patrocinador é a Universidade de Minnesota.
O estudo analisará se a introdução de medicamentos anti-HIV mais cedo do que sugere a maior parte dos guias de tratamento pode ajudar a permanecer saudável por mais tempo a pessoa infectada.
Isso esta ocorrendo em vários países, e o estudo consiste em observar por um tempo dois grupos. Um que irá iniciar o tratamento precoce e o outro que será adiado, ou seja, iniciando apenas da maneira usada hoje em dia. A questão é que isso ocorre por um sorteio, tendo assim chances iguais de participar de um ou outro grupo.

Passei por uma enorme bateria de exames, mas confesso que não foi cansativo nem nada do tipo. A equipe é excelente e o Hospital bem estruturado. O ambiente é que está fazendo grande diferença neste momento. precisava de um local em que me sentisse melhor.

Agora falta saber em que grupo estou, e isso me assusta! Sei que eu posso sair do projeto quando quiser, é um ato voluntário, mas continuo acreditando nos sinais, sorte ou destino não é?

domingo, 24 de outubro de 2010

=)


Tenho alguns textos para postar aqui, coisas que me acontecem, que vejo e me fazem refletir sobre minha condição. Tenho algumas novidades para compartilhar. Mas hoje não.
Hoje deixaria aqui apenas a imagem de um sorriso. A cabeça continua a mil, ando tendo que tomar muitas decisões, decisões que irão fazer diferença lá na frente...mas hoje quero sorrir.Hoje não quero drama, hoje não quero dor. Quero olhar para o espelho, escutar uma música, assistir um episódio de Grey's e sorrir. Um sorriso orgulhoso por quem eu me tornei mesmo com as adversidades da vida.
Bom dia à todos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Palavras que me perseguem...


Quando mais novo tinha uma palavra que eu escutava muito, e confesso que demorei um pouco para compreender seu significado real. Bonitinho, escutava sempre... "olha como ele é bonitinho".. "Você é muito bonitinho"... "Esta bonitinho hoje hein".
Antes eu sorria...achava que isso era positivo, mas descobri que não.
Como eu descobri? O que adianta ser o bonitinho se ninguém te quer? Quando entendi, mudei...e digo até fisicamente mesmo, queria mudar aquela palavra para alguma que fosse um elogio de verdade. Até consegui alcançar minha meta.

Hoje a palavra que escuto é: Especial! "Você é muito especial", "Vai encontrar alguém tão especial como você".
As duas parecem a mesma coisa pra mim. Significam solidão...incompreensão...diferença, alias usam muito o termo especial para dizer algo sobre alguém diferente, doente, com alguma deficiência. Não importa a palavra que seja usada para todos esses grupos, a diferença está no sentimento atrás dela, e isso palavra nenhuma altera.
Fico confuso com essa linha entre o especial bom e o ruim. Lutei a vida inteira para ser "normal", "como os outros"... mas essa meta não alcancei.
Ser Especial está me trazendo um peso...

sábado, 25 de setembro de 2010

Teste


"Isso foi um teste?
Tudo é um teste.
A vida é um teste."

Este foi o Final de um seriado, Eli Stone. Lógicamente acabo levando pra vida. Quem nunca se questionou diante de um problema se tudo não passava de um teste, uma punição, um sinal? Existem aqueles que não acreditam em nada disso.... acho justo...direito de livre arbítrio do homem.
Mas eu... eu acredito. Às vezes não sei ao certo em que, mas em algo eu acredito.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fim de noite!


Bom, acabei de chegar de uma balada, confesso que o alcool me alterou um pouco, mas não o suficiente para eu não compreender as coisas.
Foi divertido, estive com amigos, dancei, bebi... mas também encontrei alguém do passado. Justamente do momento em que estava descobrindo tudo. Alguém com quem tomei o maior cuidado ( como deveria ter feito sempre), por isso, depois que descobri não tive coragem de dizer nada.
Não é simplesmente uma pessoa qualquer, é alguém que rolou um certo sentimento.
Nos vimos hoje... nos olhamos...dançamos... e até nos beijamos. Queria terminar a noite acompanhado, mas minha consciência dói, pesa. Olho nos seus olhos e tenho vontade de chorar. Confesso que foi o que fiz assim que saí da balada. Chorei pela minha covardia de dizer algo, pela minha vontade de estar junto, mas sei que neste momento isso não seria bom, pra mim e para a outra pessoa.

Hoje é um daqueles dias que me doeu ter o vírus. Me doeu profundamente ao ponto de meus olhos se encherem e eu não poder fazer nada, apenas preservar as pessoas de ficarem em risco.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Grupo!


Sempre evitei ser de um único grupo. Tenho meus amigos de bairro, do colégio, de primos, de clube, de faculdade e por aí vai.
Mas quando descobri o HIV em mim, comecei a pesquisar na internet para saber mais informações. Me deparei com um mundo todo de soropositivos, existem comunidades e blogs de discussão sobre o assunto, pessoas de sorologia negativa que nos apoiam, informações sobre pesquisas e há também a questão de relacionamentos.
Como já comentado, a questão relacionamento, em princípio, é uma das mais graves ao se descobrir soropositivo. Relacionamentos familiares que podem desabar, amizades que podem se confrontar, e claro relacionamentos amorosos que sofrem aí, a maior turbulência.
Acho algo pequeno, até mesmo ignorante uma pessoa que não se abre para o mundo, para a possiblidade de conhecer pessoas diferentes, e um grande baque foi em me olhar no espelho e ver que agora sou de um grupo, o grupo dos que contrairam o HIV.
Na internet encontrei muitas comunidades e afins que se presam em tentar unir casais soropositivos, pois claro, facilita o momento de contar a verdade e reduz o grande medo da rejeição. Eu fugi desses canais de comunicação. Pensava que tendo essa iniciativa ficaria mais ainda preso em um único grupo.
Dias atrás comecei a refletir sobre isso, e conversando com uma amiga fiz o comentário que eu achava que procurar alguém com a mesma sorologia me tornaria mais fechado nesse grupo, impossibilitando assim de conhecer alguém da maneira natural. Mas aí ela veio em contra-ponto dizendo que eu não me abrir para essa possibilidade de conhecer pessoas como eu, também me fecha em um certo grupo.
É, concordei com ela. Talvez eu amplie essa minha rede, afinal, ninguém está obrigado a gostar do outro...isso talvez apenas aumente a possibilidade de eu ser feliz!

domingo, 8 de agosto de 2010

Momento de Transição


Brinquei com alguns amigos dizendo que estava entrando em uma nova fase da minha vida, mas realmente acho que é justamente isso que está acontecendo.
Estou em uma fase de transição...sei lá. Ando meio esquisito mesmo. Alguns amigos que conhecem meu jeito animado, brincalhão e até paquerador estão se deparando com uma nova pessoa, chegam até a se preocuparem perguntando se estou bem.
Estou sim... na verdade até melhor do que eu imaginava.
Mas estou em uma fase diferente que tento compreender o que é ainda. Tenho saído menos...e quando saio me divirto bastante, mas quando este sentimento vai passando volto pra casa. Tenho curtido estar com algumas pessoas, porém tenho curtido mais ainda estar sozinho. Não pensem que é algo depressivo pois não é. Quando mais novo, lá pelos 14 e 15 anos curtia bastante a minha solidão, e era muito positivo. Eu me descobria a cada dia....me divertia comigo mesmo, afinal passei a maior parte da infância brincando sozinho. Acho que estava até mesmo com saudade desta independência afetiva. Ajuda a me focar em algumas coisas. Isso vale para relacionamentos e ficadas também. Encontrei uns dias atrás a pessoa com quem eu compartilharia e construiria uma vida, mas ela não consegue me aceitar....direito dela que não nego jamais. Mas é tão bom poder estar com alguém que sabe de tudo... alguém que me beija e sabe a verdade por trás do meu sorriso e dos meus olhos tristes. Acho que está rolando uma certa preguiça no momento. Tenho sim me interessado por pessoas novas, mas isso tem diminuído. Cheguei a pensar bastante nas poucas pessoas que estiveram comigo sabendo da situação. Era bom não ter medo. Não ter medo da rejeição...mas preso ao passado sei que não posso ficar,e ando carente de algo que nunca tive. Mas deixa esse momento passar...quem sabe não dá uma melhorada né!

sábado, 7 de agosto de 2010

Viva La Vida




"Hoje sei que não importa muito a forma que morreremos, que pode ser de susto, bala ou vício...

Importará, naquele dia, a forma como teremos vivido."

Não acredito muito em coisas por acaso... sempre acho que existe um sinal. Passei o último mês dizendo essa frase pra mim mesmo e ela aparece aqui nos meus comentários.Também disse para algumas pessoas. Algumas apenas para compartilhar o pensamento, já para outras gostaria que realmente pensassem à respeito.

Eu estou aqui, tendo raras crises de 5 minutos de choro descontrolado. Estou aqui repensando muitas coisas. Vivenciando coisas novas e me cuidando. mas acima de tudo estou vivendo. Deixando o sorriso chegar na maior parte do tempo...deixando também as lágrimas cairem quando necessário. Estou me desafiando, aprendendo e tentando seguir confiante rumo ao meu futuro.

OBS: Obrigado pela frase, e saiba que estou pensando muito sobre isso já faz um tempo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aceitação!


Além da dificuldade da própria pessoa em se aceitar como soropositivo, nos deparamos com a preocupação em se as outras pessoas vão aceitar. Isso se agrava mais na condição de um relacionamento amoroso.
Tenho pensado bastante sobre isso esses tempos. Por enquanto só consigo chegar em uma conclusão.

"Não quero ser aceito, quero ser amado...a aceitação talvez apareça naturalmente pelo que sou e não pelo que tenho!"

Hipocrisia


Não entendo como algumas (entenda-se muitas) pessoas tratam os portadores de HIV. A população parece que sente um certo nojo e medo e se limitam a pensar que alguém que pega uma doença por via sexual é um promíscuo ou algo do tipo. Porém elas se esquecem que a maioria da população tem uma vida sexual ativa e estão todos sujeito a contrair alguma doença. Isso é pura Hipocrisia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Profissional de Qualidade


Peguei dengue agora em julho, fui ao Hospital e tudo mais, mas meus pais quiseram me levar ao pediatra. O médico que me conhece desde o momento em que saí de minha mãe, que me acompanhou por todos essas anos, que conhece minha saúde e vida. Seria ótimo, mas também difícil. Teria que dizer para ele os últimos acontecimentos e isso na presença do meu pai e da minha mãe.
A espera na sala foi grande, mas vale a pena. Ele não tem pressa no atendimento, dá toda a assistência, e comigo não foi diferente.
Quando contei ( depois de dar uma olhada para meus pais e respirar fundo), ele foi altamente profissional e solidário. Perguntou se eu estava acompanhando e tudo mais,e ainda disse para meus pais não se preocuparem tanto. Ele mesmo disse que trata de muitas crianças onde as mães são soro-positivas e que elas estão ótimas.

Já estou quase 100% bom.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Preciosa


Hoje assisti Preciosa, nem sabia que o filme tocava no assunto, estava com minha família na sala, foi forte!
O que foi dito sobre a doença bateu e eu quis chorar, mas não consegui. Existia uma tensão no ar, parecia que todos estavam segurando a respiração, não tive coragem de olhar para eles.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Imagem.


Engraçado como escuto dizer que o Brasil é referência lá fora no tratamento de AIDS, mas me deparo com uma situação. Quem sabe disso somos nós que começamos a investigar sobre a doença à partir do momento que descobrimos nosso contagio, e os outros? Os outros continuam sem saber, com medo.


Já me deparei com vários episódios inteiros em seriados norte americanos, dedicados á doença. Pude até mesmo com toda minha ignorância, aprender muitas coisas novas e refletir cada vez mais sobre minha relação com a doença. E isso é saudável, isso colabora e muito. Mas vejo isso em um Grey’s Anatomy, Private Practice, E.R. e em Queer as Folk ( que não sendo um seriado médico, lidou muito bem com o assunto). Mas e aqui, no país referência mundial?

Importante sim estarmos avançando cada dia mais em pesquisas, mas também não devemos esquecer a luta diária por uma vida normal. A conscientização de toda uma população que não sabe lidar com isso. As dúvidas e angústias que a maioria de nós nem tem com quem tirar.

Se algumas coisas não mudarem, a imagem do cazuza morrendo ainda será a única na memória dos brasileiros, e o medo e preconceito ainda irá perdurar por muito tempo.

sábado, 22 de maio de 2010

Escolhas



" A Vida humana é feita de escolhas. Viver ou morrer. Essa é a escolha importante. E nem sempre esta em nossas mãos. "
                           (Grey's Anatomy)


Às vezes a correria do dia-a-dia nos ocupa tanto o corpo quanto a mente, mas nós não nos esquecemos da doença... ela bate todo dia, somos sempre lembrados, porém, algumas vezes não nos aprofundamos em nossos sentimentos e vamos levando. Só que tem dia que ela quer atenção, então ela grita. Um grito que vai saindo de dentro...que sobe pela garganta e vai direto aos olhos, então começa a transbordar em nosso corpo. Até chegar o momento do grito!
E isso não é ruim, é na verdade necessário. Chega até a dar um alívio... nesses momentos não queremos ninguém por perto, ou queremos...precisamos de alguém para nos olhar por dentro dos olhos e que diga: "Esta tudo bem, estou aqui com você, você não está sozinho."

Sei que em breve precisarei de uma ajuda extra, um grupo ou psicóloga. Mas ainda não, tenho que entender certas coisas por mim mesmo...ainda não, em breve, prometo!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um Otimista Incorrigível


" A Noção de esconder as coisas... é isso que dá nos nervos. Sentir a necessidade de esconder seus sintomas é a chave para entender o que os pacientes de todas as doenças têm de enfrentar. Temos de esconder e esconder...Não deixe ninguém ver, não deixe que pensem que você é incapaz, que é instável, que não tem firmeza, que é inválido, que não tem valor. Massacre tudo. Esconda tudo. Disfarce... Mas temos de levar outras coisas em conta. Levamos muito a sério nossas responsabilidades como cidadãos, nosso senso de ética e, mais uma vez, nossa espiritualidade. Levamos tudo isso muito a sério. E isso não pode ser descartado apenas porque temos um problema que nos leva a determinado caminho..."
                               
                                                                                                  (Michael J. Fox)

                                               ----------   ***   ----------


-Hoje eu gargalhei, com a TV, sozinho. E me fez muito bem.

-Obrigado pelos comentários. Me sinto bem escrevendo, me sinto bem com vocês lendo e comentando, quando leio os comentários me animo a escrever mais e isso se torna um ciclo!

sábado, 17 de abril de 2010

Rede Pública x Particular


Hoje venho aqui comentar algo que pode parecer estranho para alguns. Sou uma pessoa que realmente sempre evito não ter preconceito nenhum, por isso o que irei comentar esta mais ligado à minha sensação do que a algo deste tipo. (sinceramente espero que compreendam, e quem me conhece não me deixa mentir)Sou um garoto "saudável", de classe média que sempre conviveu entre todas as classes, de ter amigos em favelas até altos nomes da sociedade. Dito isso vamos lá:
Sabemos que o programa de HIV do Brasil é referência mundial e estou satisfeito com meu atendimento, mas o complicado é que sempre que estou no hospital, as pessoas que estão aguardando o atendimento comigo muitas vezes são pessoas fora demais da minha realidade, muito ignorantes, de aparência que às vezes chega ao grotesco,e o meu incômodo não está relacionado à eles, mas a mim. Saio de lá mal por nunca ver pessoas mais próximas a minha realidade, me sinto mal com relação a isso. Sinto que ás vezes queria me deparar com mais pessoas dentro do meu universo, para realmente levar esta doença normalmente- normal dentro do meu dia-a-dia - Além de ter a questão da inconstância em relação aos médicos. Aí é que entra minha grande dúvida. Tenho Plano de saúde, posso optar por fazer isso na particular. mesmo porque, quando começar a tomar remédios ( isso se Deus quiser daqui muuuuitos anos), poderei retirá-lo no posto de saúde. Mas também penso que minha visita ao médico gira em torno de uma vez a cada 4 meses, e estar no hospital faz com que eu me depare com outras realidade. Um pouco confuso, eu sei, mas não sei ainda quem ganha esta "disputa".

sexta-feira, 2 de abril de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Esfera humana


Para as pessoas que se preocuparam comigo venho aqui atualizar algumas coisas.
Continuo sem perspectiva futura sim, mas ando melhor. Sei que tenho que aproveitar os momentos, só não consigo passar do presente. talvez ande ocupado demais ultimamente para pensar em mais coisas também.

Outra coisa também mudou. Alguns dias atrás tive grandes revelações. Desde que descobri a doença, me perguntava quem poderia ter me passado. Não sou santo, eu sei, e dentre todas as minhas relações uns 90% ou mais foram com segurança, mas não conseguia pensar nesses 10%.
Um dia acordei e com a ajuda de um amigo o quebra-cabeça talvez tenha sido resolvido. Não posso dar jamais 100% de certeza de quem foi, mas o mais estranho esta justamente aí. Tinha medo da minha reação se um dia eu descobrisse, mas confesso que me ajudou de certa forma. Saber quem foi não altera minha situação, ajuda em saber quando foi que ocorreu para saber o tempo que faz. Com relação à pessoa fiquei absolutamente em choque, digo aqui, independente se foi ou não esta pessoa, ela não deixa de ser a pessoa mais sem caráter e sem escrúpulos que conheci. Fiquei sabendo que quando nos relacionamos ela já sabia que tinha a doença.
Meus questionamentos divinos se aquietaram, pois dentro desta questão eu diria que foi a junção de uma falha minha com o fato de eu ter sido vítima de uma pessoa sem caráter. Isto esta na esfera do Humano e não do Divino.

terça-feira, 23 de março de 2010

Tchau Dra.!


Hoje eu tinha retorno na médica, acordei, peguei a pastinha com exames e coisas do tipo. Cheguei no Hospital e abri um sorriso quando vi que eu tinha sido o primeiro a chegar, mas aí o sorriso se fechou!
Na verdade não teria consulta. A médica saiu do programa, estavam remarcando as consultas para a outra médica até chegar uma nova.

Fiquei bem triste quando sai de lá. Gostava da médica, ela já me conhecia, me sentia a vontade para conversar, perguntar. É ruim ter de mudar assim! Vamos esperar a nova consulta...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Perspectiva


Quem me conhece sabe que um referencial da minha pessoa é minha simpatia, meu otimismo e minha alegria de viver, sou aquele que sempre diz: " Calma que o tempo cura tudo". E as pessoas acreditam em mim, sou um bom amigo (aliás é somente isso que sei ser não é?!...). Mas hoje não quero ouvir isso de ninguém, pois já disse pra mim mesmo, mas não ajudou muito. Não ajudou porque sempre acreditei que "Aqui se faz, aqui se paga", e partindo deste princípio me pergunto o que estou pagando, não sei mais se tudo que fiz foi correto, se as escolhas foram as certas. Se comparado à uma Tragédia Grega, estaria no momento em que o héroi cai, em que depois da chegada do mensageiro a vida dá uma reviravolta.

Me olho no espelho e estou cansado, hoje não quero sorrir forçado, queria um sorriso que brote da felicidade, mas não encontro. Espero sim que seja uma fase e que o tempo cure, mas não sei quanto tempo isso vai durar. Olho meus olhos pelo reflexo do espelho, procuro, mas não encontro nenhuma perspectiva de felicidade neles.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A culpa, é da Verdade!


Quando me perguntam se culpo quem me passou, sempre digo que não, e antes sempre dizia que culpava minha ingenuidade. Mas hoje penso um pouco mais além.
Não sei se Ingênuo é a palavra certa para me definir. O que acontece é que quem me conhece sabe, sou muito sincero, já me ferrei bastante por falar coisas para pessoas e depois elas usarem isso. Sei que hoje em dia confiança é algo sofrível de se conquistar, mas se eu não for capaz de acreditar no homem, acreditarei em que? Acredito sim nas pessoas até que me provem o contrário, opto por dar a confiança ao invés de testar incessantemente o outro.
Não posso culpar ninguém porque sei muito bem que a verdade é algo difícil de se lidar, seja ela qual for. Ela necessita de tempo, do seu momento certo para ser revelada, pois ela libera um peso mas também suas consequências.

Costumo passar bem durante o dia todo, mas quase sempre chega um momento em que me dá uns 5 minutos de desespero. Choro e tenho dúvidas sobre a minha vida, minha saúde, minha família e claro sobre como serão meus relacionamentos e na pior das hipóteses se chegarei a tê-los. Mas hoje descobri que acima de tudo choro pela verdade. Sempre digo que minha maior qualidade também é meu maior defeito, a minha sinceridade. Choro por ter que me confrontar todos os dias. Isso pesa muito aqui dentro. Confesso que ainda não sei como lidar com isso, e isso me consome a maior parte do tempo. Não adianta me dizerem: " Ah, mas você não precisa contar para todos". Não mesmo? Tenho uma doença, e ela pode ser transmitida para as outras pessoas, por menor que sejam as chances, ela existe. Preciso contar então para quem?

Tenho me sentido menos eu, me sentido hipócrita por ter lutado a vida inteira contra a falsidade, mas tenho consciência que também tenho o direito de me preservar. Tudo ainda muito confuso aqui dentro, e é isso que está doendo, e a culpa, é da Verdade!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


Hoje...


" Hoje é o dia que minha vida começa. Hoje eu me torno um cidadão no mundo. Hoje eu me torno adulto. Hoje eu me torno responsável. Responsável para outros que não meus pais e a mim mesmo. Responsável por mais que minhas notas. Hoje eu me torno responsável pelo mundo. Pelo futuro. Por todas as possibilidades que a vida tem a oferecer. A partir de hoje... meu propósito é aparecer com os olhos abertos. Com determinação. Preparado. Para quê? Não sei, para qualquer coisa. Para tudo. Para enfrentar a Vida. para enfrentar o amor. Para enfrentar a responsabilidade e as possibilidades. Hoje nossas vidas começam. E eu, pelo menos não vejo a hora! "

Não foi eu quem escreveu, mas poderia ter sido, gostaria que tivesse sido.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Pensei que eu poderia acordar e ser como era antes, mas isso já não dá mais.

Válvula de Escape


Comecei a assistir Grey's Anatomy por coincidência no mesmo período em que descobri a doença,e tenho que confessar: Virou minha válvula de Escape.
Nos dias em que a dor quer ser exteriorizada recorro ao seriado para me acalmar...refletir...chorar e mesmo me divertir.
Respondendo a pergunta, muitos dos textos que coloquei aqui ( e que ainda irei colocar) são do seriado ou mesmo de uma reflexão após assistir um episódio.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Lágrimas contidas!



Existe todo um preparo, e com certeza ainda lutarei para ajudar a diminuir o preconceito, mas por enquanto quero apenas que as pessoas que fazem parte de minha vida saibam desta notícia.
Tenho muitos amigos (Graças a Deus!), e já contei para quase todos . Hoje um dos mais importantes ficou sabendo. Ele, todo quieto com seu jeito, acabou tendo a reação de quase todos. Um susto e uma lágrima contida!
Mesmo sendo uma pessoa bem dramática, rs, tento contar o mais racional possível, passando segurança para as pessoas, com isso elas ficam sem certos tipos de reação, mas eu vejo...eu sinto a lágrima contida nos olhos apertados. Obrigado, isso demonstra os sentimentos para comigo, e isto faz uma enorme diferença.

Depois do Baque...


Depois do baque inicial, tirando uma vez em que cutucaram onde não deviam, acho que não chorei muito pelo ocorrido na frente de alguém. Me lembro de quando contei para meu irmão e ele ficou bravo com minha reação, pensando que eu não compreendia a gravidade da situação. Mas naquele momento ele não entendeu que se eu desabar, eu levo todos comigo. Às vezes a vida parece simples, mas sei que não é, sei que futuramente poderei lidar com situações complicadas, mas enquanto me preparo para isso, estou aqui, firme e forte! Como escutei em um seriado: "Quando sabem que você tem uma doença, eles não conseguem te olhar de outra maneira". Mas precisam olhar, precisam se lembrar das coisas que sempre me disseram: "Você é vida, é um lutador, otimista e com uma coragem acima do normal!".
É justamente nisso que me prendo, quando dói e meus olhos quase sangram de tantas lágrimas, mesmo sozinho são vocês meus amigos e familiares que me apoiam!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Escutei e decidi compartilhar...


"...Entramos no Mundo sozinhos, e saímos sozinhos. E tudo que acontece no meio? Devemos a nós mesmos encontrar uma companhia. Precisamos de ajuda. precisamos de suporte. Caso contrário, estamos nessa sozinhos. Estranhos. Desligados uns dos outros. E Esquecemos o quão conectados estamos. Então, em vez disso, escolhemos o amor. Escolhemos a Vida. E por um momento, nos sentimos um pouco menos sozinhos."

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Não quero isso pra mim!


Sempre existiu dentro de mim um rapaz bem romântico, que sempre imaginou encontrar o amor. Mas a vida nos apronta muito, e depois de grandes confusões comecei a me enganar, a pensar que eu era um galinha. Mas aconteceu um problema, acabei eu mesmo caindo na minha armadilha e passei a realmente acreditar nisso. Não sei quantos foram, realmente não me lembro da maioria. Dia desses a máscara caiu e a ferida se abriu. Me bate muito a dúvida do que fazer... ter esperança que mesmo com a verdade posso amar e ser amado, ou viver na mentira apenas satisfazendo-me e evitando grandes sofrimentos?
Não quero isso pra mim, não me lembro de muitos justamente por não terem sido importantes, mas jamais me esquecerei daqueles olhos lacrimejando e o medo presente sim, mas se esforçando por querer estar comigo.
Quero ter forças para fazer com que a esperança prevaleça!


Retorno!


* Todo dia acordo já ciente de minha condição atual, mas hoje, justamente hoje que tive o retorno na médica e estou com todos os exames organizados acordei sentindo que não passava de uma sonho. Uma sensação boa pelos recentes acontecimentos me fez esquecer a realidade. Confesso que foi bom não sentir o peso da doença logo quando abro os olhos, mas é óbvio que durou pouco, quando estava entrando no ônibus tudo voltou ao normal...

* "O que os olhos não vêem o coração não sente"
É isso que dizem não é? mas e quando ele vê?
Olhar um prontuário médico com seu nome é complicado e triste.

* Ah, claro! Os exames estão todos bons! CD4/CD8 estão altos e carga viral baixa... por enquanto sem rotina de remédios!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Na Balada!


Na semana seguinte da descoberta, fui com um amigo para uma balada. Não estava no clima de curtir a noite, mas foi bom sair de casa.
Em um determinado momento me peguei olhando para todos as pessoas presentes...pessoas bebendo.. dançando...paquerando...beijando...em seus cantos também observando... e uma dúvida me surgiu: "Quem aí é Soropositivo?".A resposta é óbvia, não tem como saber, nos resta apenas apenas confiar no que é dito, mesmo porque muitos ali nem devem saber se tem ou não.

Complicado isso, até que ponto se confia em um desconhecido? até que ponto se desconfia? Meu erro foi justamente nesse momento, acreditar demais...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Goodbye Alice In Wonderland (Jewel)


"...Crescer não é a ausência do sonho

É ser capaz de compreender a diferença entre
Aqueles que você pode abraçar e aqueles que são falsos
Sonhar é algo bom pois traz boas coisas à vida
Mas fingir é um fim que perpetua a mentira
Esquecendo-se do que você vê pelo que te contam


A verdade é mais estranha que a ficção
E esta é minha chance de fazer certo
A vida é muito melhor sem todas aquelas lindas mentiras


Portanto adeus Alice no País das Maravilhas
Você pode ficar com a sua "Yellow brick road"
Porque há uma diferença entre sonhar e fingir
Isso não é lágrima nos meus olhos
Era apenas o relfexo da minha mente solitária procurando
É apenas o reflexo da minha mente solitária procurando
Eu encontrei o que estava faltando na minha vida"

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Esperança no Homem!


Existem pessoas capazes de compreender o ser humano além de seus problemas.. pessoas que por dentro dos olhos conseguem ver a alma e a integridade. para essas pessoas eu digo: Obrigado por trazerem de volta a esperança no Homem!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Porque tudo de uma vez?


Quando estou aprendendo a lidar com minha vida, aparece alguém... que faz algo que mexe comigo, como não fazem faz tempo. Alguém que tem a ver comigo, que olha nos meus olhos...
Mas não sei se posso mais me dar o luxo de gostar de alguém, pois a probabilidade de eu sofrer é quase 100%.
O que eu faço? Qual o melhor momento para contar a verdade? Vou ser rejeitado?

isso está martelando aqui dentro... e não sei a resposta... não sei até que ponto tenho esperança.

Enquanto o sono não vem...


Pensava em uma ordem cronológica sobre o que escrever aqui - Eu e minhas tentativas de controlar tudo- mas ai me lembro do que a vida me ensinou. Nunca temos o controle de tudo, as coisas vão acontecendo e vamos tentando lidar com tudo. É o que estou tentando fazer. Cada dia é diferente, porém com uma coisa em comum. Agora tenho uma doença comigo. Não gosto desta palavra, mas às vezes tenho que deixar meus pés no chão. Cada dia que acordo tenho que lidar com os acontecimentos rotineiros e agora tem mais um adicional, e são estes pensamentos novos que me deixam acordado até tarde...

Exames


Final da primeira bateria de exames, tudo parece dentro do previsto, nossa... já não tinha mais onde ser picado! Tenho que aguardar o retorno na médica agora para saber o protocolo! Isso será coisa rotineira na minha vida agora né...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pensamentos Confusos...


Hoje entendo como uma pessoa sem estrutura pode se matar ao ouvir algumas notícias, como tudo se perde em um curto espaço de tempo, é natural que fiquemos perdidos. Agradeço pela estrutura dada por minha família, mesmo com todos os pensamentos confusos ainda consegui manter a racionalidade do assunto.
A descoberta de ser soropositivo, traz também a descoberta de novos pensamentos, e até eles se firmarem..nossa, fica uma confusão aqui dentro, por isso mesmo que clichê, deve ser ressaltado: Tenho que dar tempo ao tempo!

Descobrindo


É estranho, mas sempre ficava com a pulga atrás da orelha quando pensava em fazer um exame de HIV, sei lá.. no fundo eu sabia que tinha feito "cagadas" algumas vezes e que esta chance existia, mas como todos dizem, nunca pensamos que pode acontecer com a gente. Mas acontece.
Depois de quase um mês com problemas intestinais fui ao médico, ele pediu uma bateria de exames, e entre eles o de HIV. Estava feito, agora não poderia voltar atrás...fiz.
Me lembro de ler em uma placa no laboratório que quando o teste da positivo, você repete para confirmar. Guardei aquela informação e fui embora. Dias depois volto lá e descubro que tenho que repetir um dos exames, justamente ele.
Acredito que foi uma das piores semanas da minha vida, tive que trabalhar normalmente, mas não adiantava, não estava nada normal. Alguns poucos amigos sabiam do ocorrido e estavam torcendo por mim, temendo por mim.
O resultado só sairia no dia 7 de dezembro, mas acordei no dia 3 e resolvi olhar na internet. Estava lá o resultado estampado, a confirmação.
Aquele momento em que tudo fica paralisado, em que os sonhos se desmoronam bem diante dos seus olhos. Momento em que as reações, palavras e sentidos ficam congelados...só não me lembro por quanto tempo.
Tocou o telefone, era uma amiga do outro lado, dou a notícia, não escuto mais nada, não digo mais nada. Nem as lágrimas conseguem descer. Depois soube que ela chegou a desmaiar dentro do ônibus.
Mais tarde outro amigo chega...silêncio.
No final do dia corro para o mar, choro... choro por mim, pela minha família, pelos meus amigos, pelos meus sonhos, pela doença. Levanto a cabeça, ela bem pesada com tantos pensamentos confusos, volto pra casa.