terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Avaliação do ano




"Não importa o esquisito que você acabe sendo, as chances são de que ainda existe alguém para você. A não ser que tenham seguido em frente. Porque quando se trata de amor, nem esquisitos podem esperar para sempre."

                         (Grey's Anatomy)




Me ausentei este último mês, e motivos não faltaram. Sou daquele tipo de pessoa que encara sim o ano novo como um recomeço e por isso sempre acabo parando no mês de dezembro para avaliar os acontecimentos. Posso garantir que este foi o pior ano de toda a minha vida. O início da medicação, os efeitos colaterais que persistem até hoje, a mudança de foco no trabalho, complicações de saúde, muito foco nos estudos evitando pensar em outras coisas, carência e sofrimento no quesito amor. De fato não posso considerar um ano bom, mas como sabem, o otimismo sempre arruma uma forma de se manifestar em mim, e aprender a enxergar o lado bom das coisas é uma lição diária, com isso também posso considerar que a medicação veio para me alertar e manter minha saúde mais estável, uma medicação com grandes efeitos colaterais, porém bem adaptada ao meu ritmo de vida, um estágio que eu busquei e que durante seu período me abriu os olhos e me ensinou muito, aprendizado na faculdade e a volta ao meu trabalho preferido, aquele que faz meus olhos brilharem, sofrimento no coração que pode também mostrar que foi eterno enquanto durou, que existem pessoas boas e esta luta para os soropositivos esta apenas começando e depende de nós... acredito que é possível ser feliz... e é nesta felicidade que quero chegar, é assim que quero conseguir ver sempre. Os primeiros passos foram dados.... que venha 2012 e ilumine meu caminho... ou melhor o nosso caminho. Obrigado pela força de todos aqui....

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

dia 1!



Dia primeiro... esqueço muitos aniversários, confundo até mesmo o dos meus pais, mas esta data... esta data faz tempo que entrou na minha vida.
Acho que estava na sétima série quando vieram no meu colégio no dia 1 de dezembro e foram explicar sobre a AIDS. Não sei porque, mas aquilo me marcou. No ano seguinte li pela primeira vez algo sobre a doença...era o livro "Depois daquela viagem". Depois disso, todos os anos e todas as vezes que passava algo sobre o assunto eu sentia algo me agoniando.
2 anos atrás entendi o motivo. 2 anos atrás estava refazendo meu exame durante a semana mundial do combate e confirmando o resultado. 2 anos atrás eu virei uma estatística.

Gostei, e muito da campanha deste ano. Esta tem que ser a luta, chega de preconceito. Me lembrei de uma frase que ouvi e que li recentemente.

"A dor do outro não interessa a ninguém quando faz parte das estatísticas".
(Ingrid Betancourt)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Universo ao meu redor


Um sorriso, uma lágrima e um beijo... um Adeus. ( espero que vire um até logo... espero mesmo)
Me falaram: Você tem que se acostumar, sabe que será difícil alguém te aceitar assim.
Eu sei...eu sei, mas não queria... não hoje, não desta vez. A rejeição não é algo fácil...e digo em qualquer circunstância da vida. Mas dói mais quando é assunto amoroso. Mas no final de tudo só posso dizer uma coisa. Não fique assim, não é fraqueza, não é falha de caráter é apenas... humano. Não consigo deixar de me colocar no lugar dos outros, por isso, sei que não é fácil. Dias como hoje fazem com que eu não encontre perspectiva de felicidade futura, fazem com que veja apenas a minha solidão como algo certo, mas este otimismo que nasceu comigo chega a me incomodar e no fundo, lá no fundo mesmo, fica de leve uma esperança em ter algo como o que tive nestas duas semanas . Um abraço seguro, um olhar confortante, um beijo gostoso, uma risada espontânea e um carinho suave. Carinho.... hoje em dia é o que mais sinto falta. Penso menos em sexo, mas em carinho penso todos os dias e isso dói, machuca e às vezes explode... tanto que não consigo me conter e essa dor transborda, só que não posso fazer nada a não ser pedir para não me abandonar e se isso não acontecer guardarei comigo as boas lembranças, pois pra mim isso é o que me fortalece.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Efeito Kaletra


Uma das perguntas que sempre me fazem é com relação aos efeitos colaterais da medicação, e minha resposta é: Constrangimento.
A minha sorte é que não posso me considerar uma pessoa tímida, mesmo nos momentos chatos faço uma brincadeira e evito situações complicadas... mas penso nas outras pessoas mais tímidas e caladas. Sempre fui alguém que teve um bom funcionamento do intestino. Normalmente ia ao banheiro de 2 a 3 vezes por dia. Hoje com a medicação cheguei ao recorde de ir 9 vezes em um mesmo dia, e a média normal é por volta de 5 vezes. O constrangimento esta aí, acabo tendo que usar banheiros que normalmente não usaria, dependo da sorte em encontrar lugares bem higienizados, acabo ficando assado muitas vezes, aumenta o risco de pegar novamente uma infecção anal. Como viajo bastante sofro com algumas cólicas quando tenho que segurar ao máximo, tento controlar a flatulência, isso sem contar o gosto forte da medicação que fica potencializado pelo fato de eu tomar todos os comprimidos juntos pela manhã. E passo, na verdade passamos, por isso sorrindo. Escondendo para não parecer frágil perante os outros.

Respondendo a um comentário, evito pensar muito nas formas como estão pesquisando a cura para o HIV, afinal existem várias linhas de raciocínio....existe até gente que diz que na verdade o problema em achar ( ou divulgar) uma cura para a AIDS está no caos social que iria acontecer, afinal se com a doença e tudo mais as pessoas iniciam cada dia mais cedo sua vida sexual e não tomam os devidos cuidados, imagina se o fantasma desta DST desaparecer? Eu prefiro deixas esse assunto para os estudiosos da área e me foco mais na rotina, no tratamento e em colaborar para amenizar o preconceito e os problemas sociais que enfrentamos. As pessoas precisam compreender que esta é uma luta de todos, pois qualquer um pode ser o próximo infectado.

sábado, 15 de outubro de 2011

Maratona Hospitalar


Participar da pesquisa START faz com que eu visite o hospital a cada 4 meses para uma maratona de exames. Acabo de completar 1 ano no programa  e com isso passei boa parte do dia por lá.
Depois de um jejum básico começamos com o clássico exame de sangue com muitos, muitos "potinhos" cheios de sangue. Em seguida muita água para fazer o exame de urina. Depois vem o encontro com o médico. Exames de pressão...pesagem...conversa sobre a saúde atual...momento tira dúvidas e coisas assim. Isso tudo já durou uma manhã inteira, mas ainda faltava o encontro com a psicóloga que além de uma boa conversa, realiza também o exame neurológico. Testes de memória e coordenação motora que, como bom competidor, me deixam bem animado, apesar de já notar pequenas alterações comparado aos primeiros meses. Por ser o mês 12 também passei por um eletro. Contagem dos comprimidos para saber a porcentagem da minha adesão ( que fica claro que foi 100%) e uma última conversa a respeito da mudança dos meus remédios. Em vez de 7 comprimidos, agora serão apenas 5 devido ao uso do Truvado que junta o Tenofovir e Emtricitabine em um só!
Pego meus remédios e marco meu retorno...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vômito de raiva...


Pensei que ia destruir minha casa ou alguma coisa. A minha vontade era essa. Fiquei com medo.

Mudanças físicas passam a ser percebidas com um certo tempo. O que descobri ultimamente é a rejeição por bebidas alcoólicas. Tenho passado mal... venho tendo ressacas bem fortes. Cada dia que passa reduzo mais, passo casamentos, formaturas, baladas com mais água, suco, refrigerantes, etc. Cerveja eu já vinha reduzindo pois ela ataca meu intestino e já tenho o Kaletra (um dos componentes do meu coquetel) para esta função...

Hoje saí e me alimentei direito mas estava afim de ficar "alegre". Não misturei, não exagerei...apenas fiquei na vodka e assim foi. Tudo ok, voltei para casa e me alimentei. De repente, do nada me abaixei no vaso sanitário e joguei tudo para fora....tudo mesmo... junto com o vômito saiu uma raiva, uma raiva tão forte que meu amigo não conseguiu dizer nada....respirei...coloquei um música alta e me apertei contra a parede.... minha vontade era de gritar....era de dar murros na parede...quebrar algo para ver se passava aquele sentimento. Meu amigo apagou as luzes e me deixou sozinho. Nem chorar eu consegui direito.
Raiva primeiro de mim mesmo... por ter deixado isso acontecer com a minha vida... raiva pela doença... me senti patético, passei o dia todo animadinho por ter conhecido alguém, mas alguém bem mais novo.... acredita que eu conseguiria fazer algo né!
A respiração ainda esta entalada... preciso dormir e ver se passa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Há Tempos São os Jovens que Adoecem...



Rock in Rio passou e tive que ir para realizar alguns sonhos da minha adolescência. Um desses sonhos era estar presente em algum show do Legião Urbana e não poderia deixar passar esta oportunidade de encontrar Dado, Bonfá, Orquestra Sinfônica Brasileira e convidados cantando músicas relevantes até os dias de hoje! Momento único e mais ainda dentro do meu contexto atual né... mas não vim escrever sobre música. O evento estava incrível, com a Cidade do Rock muito bem estruturada e organizada. Justamente quando eu andava para conhecê-la me deparei com algo que não esperava. Estava instalado lá um stand onde era possível fazer o teste rápido de AIDS! Como assim? - foi o que pensei assim que vi. Quem sai de casa para um dia feliz de shows e diversão, e decide fazer um teste de HIV? E aos que resolvem fazer por diversão com os amigos, preocupação ou qualquer outro motivo nunca esperam um resultado mostrando serem soropositivos, mas e aos que se confirmam assim, qual a reação? A equipe destinada ao trabalho estava realmente preparada? Afinal um resultado desse acaba com a alegria de qualquer festa.
Me arrependi muito de não fazer o teste lá, apenas como pesquisa para o blog...queria saber a reação dos profissionais, das pessoas próximas ao local.... Mas deixei passar esta oportunidade pois era um dia importante pra mim e não queria ficar remoendo esses sentimentos.
Comentei lá no hospital este fato e percebi que não era o único a ir contra esta proposta. Acho altamente válida a proposta de inserir uma campanha em um evento deste porte, mas não poderia ser voltada para a prevenção? Como disse uma psicóloga, tantos usaram a camiseta do filho da Cissa Guimarães, terem feito alguns artistas e formadores de opinião usarem uma camiseta ou algo do tipo alertado do exame ou algo assim talvez tivesse dado um resultado muito melhor. Devemos, sim, cada dia mais estar inserindo essas informações na sociedade, mas temos que entender os melhores locais e momentos.
Me coloco no lugar de alguém que possa ter descoberto lá, com Renato Russo tocando ao fundo e sendo obrigado a estar a km de distância de um local calmo... eu acho complicado...

sábado, 24 de setembro de 2011

Hoje eu mereço...


Alguém que me conhece profundamente disse dias atrás:
- O que você tem?
- Eu? Nada... só estou muito cansado.
- Hum... só isso mesmo? Bom mas você também não para quieto nunca...rs.
- Né, rs... mas acho que é só isso mesmo.
Uns 30 minutos depois nos sentamos em um restaurante e eu disse:
- Na verdade não sei ao certo... me sinto estranho com tudo...
- É, percebi... seus olhos não tem o mesmo brilho de antes, mas não se preocupe isso é normal e digo até mesmo importante. Muitas pessoas que sofrem um trauma se mantém fortes desde o início, mas todos temos que ter um período para sentir de verdade.
- ... é... estou no meu momento eu acho. Ando exausto, cansado fisicamente, emocionalmente. Com preguiça de muitas coisas, até mesmo das pessoas às vezes... mas não dá tempo né... não posso parar. Mas não sofro ou algo do tipo...apenas estou assim...

Hoje comecei a ver a nova temporada do meu seriado favorito ( acho que sabem qual é,rs), e precisava...muito desse momento. As lágrimas cairam, em alguns momentos por conta da história... em outros não sei ao certo. A semana foi corrida, quero dormir, quero me preocupar menos e sorrir. Isso, hoje quero sorrir. Mereço sorrir.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cortar, suturar e fechar.


"Para ser um bom cirurgião, você tem que pensar como um cirurgião. Emoções são uma droga. Deixá-las de lado e entrar em um quarto limpo e esterilizado, é um procedimento simples. Corta, sutura e fecha.
Dizem que a prática faz a perfeição. Na teoria, quanto mais pensar como um cirurgião, mais você se torna um. O melhor a fazer é permanecer neutro, clínico. Cortar, suturar e fechar. E fica cada vez mais difícil desligar isso...parar de pensar como um cirurgião e se lembrar do que significa pensar como um ser humano." 
        (Grey's Anatomy - 2º temporada)


Quando morei em São Paulo, me lembro de nas primeiras semanas sair para caminhar perto da Av. Paulista e reparar, no retorno para a minha moradia, as muitas pessoas miseráveis. Pessoas comendo as coisas do lixo, dormindo na calçada, literalmente morando debaixo da ponte. Isso doía, muito. Ficava meio perturbado. Passado algum tempo acabei neutralizando e comecei, na maioria das vezes, a tentar ignorar este fato, desviar o olhar para poder seguir adiante. Óbvio que isso também ocorre na minha cidade e outras menores, mas não é tão gritante como em uma metrópole. Não que eu tenha ficado totalmente frio, mas acho que é natural que acabemos, de alguma maneira, selecionando o que realmente nos comove.
Quando freqüentar hospitais e laboratórios virou uma rotina, senti meu olhar se modificar aos poucos. Não era aquele olhar de antes, de dor ou mesmo pena, também não era mais o olhar frio... era um novo olhar. Talvez um olhar mais real. Acredito que, de certa forma, passei a olhar para as pessoas de verdade, com suas expressões de culpa, vergonha, dor, medo, alívio, alegria e esperança. Entendi como a sociedade acaba nos impondo uma camada “protetora”. Só não sei ainda quem ela realmente está protegendo. Se é quem sofre ou quem assiste...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Itálico


Blog é um diário online, se é diário é de alguém, e este alguém sou eu! Eu que tenho nome, endereço e tudo mais.

Como dono do blog tenho certas autonomias e ferramentas, como a de deixar aqui exposto o que me agrada. Recurso que deve ser utilizado quando pessoas medíocres, sim, medíocres que se satisfazem esquecendo o espelho em casa e passam a se focar na vida alheia.

Sua liberdade termina quando começa a do outro, a sua terminou aqui no meu espaço. O porque da sua necessidade em atingir as pessoas eu não compreendo, cogito muitas possibilidades, mas como nasci com ao menos um pouco de bom senso, não vejo necessidade em expor esses meus pensamentos  aqui.
Obrigado pela preferência, mas infelizmente devo avisar que sua vida não ficará mais completa atingindo alguém. Como alguém tão inteligente e articulado, acredito que irá arrumar outra ocupação não é. Ah, blog é gratuito, então sugiro que faça o seu, assim pode escrever o que quiser, sobre quem quiser. Me passa o link que de vez em quando eu apareço para prestigiar. Ooooooutro....

domingo, 21 de agosto de 2011

Profissionais...profissionais?



Isso, agora o próximo passo é todos correrem da gente na rua. Acreditem, quem fez isso é uma médica... graaande Dra.!!

Interior


Existe algo bem difícil de mudar, algo quem vem da sua essência.
Alguém como eu que viveu em grandes metrópoles, não perde certas coisas da terra natal...do interior. O que eu não perco? A capacidade de me surpreender com a diversidade dos seres humanos e seus pensamentos.
Tem dia que encontro pessoas que são como um reflexo, pessoas que compreendo pelo olhar, outras são tão opostas que me pergunto se elas se encaixam em algum lugar.
Na verdade, esta é a beleza da vida em minha opinião. Conhecer lugares e pessoas diferentes. Conhecer opiniões diversas...afinal como diria Nelson Rodrigues "Toda unanimidade é burra."
Acredito que a arte de qualidade é aquela que faz com que o observador possa ter sua própria leitura de acordo com seu interior.
Comecei a escrever aqui sem grandes pretensões, escrevi porque como artista, senti a necessidade de exteriorizar o que sentia diante dos pensamentos que estavam surgindo. O tempo passou e percebi a capacidade de atingir as pessoas. Muitas, sim, leem para se sentirem bem com suas vidas, gostam de ver a dor do outro para valorizar cada dia mais a sua própria. Outras o fazem pelo motivo de estarem na mesma situação que eu, ou então por conhecerem pessoas que estão no mesmo barco e com isso conseguem compreender certos pensamentos e sentimentos muitas vezes escondidos. Existem também aqueles que me visitam por curiosidade ou busca de informações...  Os motivos são variados e não me preocupo, pois no final a intenção é a mesma. A busca por uma maior compreensão e pela quebra do preconceito diante uma categoria de doentes crônicos que hoje em dia sofre, às vezes, mais com os problemas externos gerados pelo HIV do que os internos. E se alguém leu isto, o que será feito a partir daí eu não sei, mas pra mim, que bom que leu, ponto.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Profissão...




"Quando você me contou eu chorei, não pela doença em si pois sei que tem o tratamento. Chorei mais pelo lado social dela, tenho medo de ver você sofrendo também por isso."

Quem disse isso foi meu irmão.
Assistindo o Profissão Repórter me lembrei novamente. Acho de grande valia programas como este colaborarem com a quebra do preconceito que acompanha um soropositivo, mas sinto que poderiam fazer algo melhor. Falar da doença já é algo difícil em nosso país e, na maioria das vezes, os entrevistados são pessoas de baixa renda, muitas vezes pessoas infectadas por falta de informação mesmo. Mas onde estão os infectados da classe média e alta? A impressão que fica é a de que a doença não subiu as classes e isso é a maior mentira. Muitos dos sarados, bonitos e ricos que vocês encontram por aí disfarçam a doença... muitos universitários de classe média erraram algumas vezes e enfrentam as incertezas e dificuldades da juventude  ao lado dos muitos comprimidos diários. Aquela garota bonita e aparentemente ingênua já pode ter infectado muitos outros....e por aí vai...
O HIV está mais próximo do que a maioria pensa e já não dá mais tempo de ignorar esta realidade. A fase de tentar encobrir, de fingir que não vimos, de sermos hipócritas já passou...não tem mais volta. O momento é outro, é a vez de olhar para si mesmo e perguntar: "E se fosse comigo? E se eu estivesse infectado? Como gostaria que me tratassem?"
A probabilidade de receber um exame dando positivo aumenta a cada dia, e a melhor maneira para evitar este crescimento nas estatísticas é ampliando os projetos de conscientização! É uma doença grave e de responsabilidade de toda a sociedade.

sábado, 30 de julho de 2011

Meio Vazio.


Só gostei de verdade de duas pessoas nesses anos todos. Uma delas foi bem antes da doença e a outra pessoa foi justamente quando havia acabado de descobrir. Esta segunda pessoa foi complicada... morava longe, sofri bastante, mas também tive excelentes momentos. Neste último mês várias lembranças boas surgiam na minha mente e passei a não sofrer mais... Durante essas férias (que me obriguei a tirar!), pude fechar esse ciclo e hoje estou renovado, mas ando meio esquisito.

Me sinto vazio, tenho preguiça...principalmente das pessoas. Preguiça de conhecer pessoas novas...amigos e futuros relacionamentos também. Ando quieto...aprontando bem menos. Queria estar mais com meus primos, com amigos...mas nem todos sabem ainda e falar sobre a vida implica em falar sobre as mudanças que ocorreram na minha. Quero ficar quieto, mas isso também está me irritando...(rs)... resumindo estou bem chato!
Na semana que vem voltam as aulas, estarei bem ocupado, com isso espero voltar mais para quem eu sou. Espero deixar de olhar para o copo meio vazio e voltar a vê-lo meio cheio!

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O número de visitantes no blog tem aumentado bastante, o que me deixa bem feliz em poder estar ajudando de alguma forma - mesmo que bem minimamente - a trazer para o convívio social a vida do soropositivo. Por isso não fiquem tímidos e comentem (rs). Ou se preferirem no canto esquerdo tem o e-mail do blog. Fiquei curioso para conversar com muitas pessoas que comentaram... mandem e-mails (rs).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Você, profissional de Saúde...


Além das complicações normais que vamos descobrindo a cada dia, passamos também por um problema sério: A falta de preparo de muitos profissionais da área de saúde.
Como já relatado aqui,descobri sozinho, vendo o resultado do meu exame por uma página da internet, algo completamente ruim e que pode causar sérios problemas em pessoas menos estruturadas. Fui no dia seguinte conversar com o médico que me atendeu por conta da diarréia que já tinha completado 3 semanas. Ele, um médico já de certa idade, gastroenterologista, chefe do setor gastro de um grande hospital me disse exatamente assim:
- Bom, descobrimos o motivo, e aviso que sua diarréia só irá melhorar quando iniciar o tratamento com a medicação, por isso te encaminho para um infectologista.
COMO ASSIM??
Eu, naquele momento, ainda perdido e altamente assustado com tudo, acabei aceitando ISSO como resposta. Quando me recordo deste momento fico altamente irritado com a falta de informação de um profissional tão qualificado como aquele senhor. Ele devia ter me tratado por conta da infecção intestinal por bactéria que me afetava, mas não o fez, me deixando por mais 2 semanas com um problema intestinal que só foi solucionado por um médico conhecido da família.

O segundo caso que presenciei não deixou revolta apenas em mim, mas causou uma raiva em uma grande amiga psicóloga que me acompanhava.
Antes de iniciar a medicação fui até São Paulo resolver umas coisas, e decidi tirar umas dúvidas no conhecido Hospital Emílio Ribas. Lá, quando disse que gostaria de tirar algumas dúvidas me encaminharam para o assistente social. Um senhor que aparentava ter seus 40 e poucos anos. Minhas dúvidas estavam ligadas ao fato de eu me mudar algumas vezes de cidade, e no que isso poderia atrapalhar meu acompanhamento médico, se com isso, a melhor opção talvez não fosse centralizar meu atendimento em um local como São Paulo, que é referência e que eu sempre tenho que ir algumas vezes ao ano. Diante de minhas questões preocupadas com o melhor pra mim, chega um momento que, após ele já ter dado algumas respostas que por pouco não me tiraram do sério, ele conclui com esta frase, exatamente esta frase: Não compreendo o motivo de estar tão preocupado com sua vida!
Ao ouvir isso, minha amiga respirou fundo e permaneceu calada para evitar um conflito, eu fingi que não ouvi e fui finalizando a conversa. Não compreende o que? Ele acha que minha vida não tem mais jeito e que não devo me importar? Ele acha que não vale nenhum esforço eu tentar ter o melhor acompanhamento médico? O que ele não entende exatamente??

Com isso me recordei da campanha do ano passado, e espero que a nova geração de profissionais nos tratem com mais respeito e competência, trazendo um maior suporte físico e emocional.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sozinho não se vai muito longe...


Recebi o meu diagnóstico sozinho, sentado em frente ao meu computador e foi duro, tenso.
Sou o filho mais novo e assim que meus irmãos foram crescendo aprendi a passar a maior parte do tempo brincando sozinho... na adolescência tive um período em que estava me encontrando e a maioria dos meus amigos não compreendiam muito bem e com isso passei novamente por muita coisa sozinho, o que me fez amadurecer e me conhecer muito bem. Quando saí da minha cidade, já estava cercado de amigos... amigos bons...e por onde passei carreguei novos amigos para a vida, mas desde que saí de casa passei a ter outros momentos sozinhos.... realizei muitos, muitos dos meus sonhos, mas quase todos eles sozinho. O fato de nunca ter namorado, por sempre focar na minha carreira e nos meus sonhos, colaborou para esses momentos. Mas confesso que sempre me dei bem com a independência e com a solidão, não de uma forma dramática mas realista mesmo. Mas como já disse aqui em outras oportunidades, recebi de presente um leque de amigos incríveis, que me trazem segurança e conforto.
Uma das minhas primeiras decisões ao me descobrir soropositivo foi de que não poderia guardar isso pra mim, não poderia esconder da minha família e dos meus amigos.
Entendo e respeito quem guarda para si uma notícia dessa, mas não consigo evitar questionar esta decisão.
Raras foram as vezes em que desabei diante de alguém, sou aquele que está sempre sorrindo, sempre tentando trazer um sorriso para o rosto do outro, mesmo que por dentro lágrimas estejam escorrendo, não sei explicar, sou assim. Mas em um desses raros momentos que desabei, com medo do meu futuro, com medo da solidão, eu estava na casa de uma amiga e não me contive...entrei no quarto dela aos prantos e pedi um abraço. Dormi tranquilo depois e agradeci por tê-la ao meu lado...

Não existe certo ou errado, mas como aqui relato as minhas experiências, posso afirmar que foi uma das melhoras decisões que tomei. Poder estar em um ambiente, olhar para os lados e saber que as pessoas ali me conhecem de verdade, que não preciso omitir e nem mentir me traz um alívio...uma paz...uma força ainda maior para seguir adiante.

domingo, 19 de junho de 2011

Distante...



Hoje me sinto assim, distante... distante das pessoas e mais ainda distante de mim. Em um mês tive um abscesso anal que me deixou 10 dias em casa, tomando - juntando com minha medicação - uma média de 12 comprimidos por dia, o problema melhorou, mas depois de muita dor e desconforto, o que me deixou cansado de muitas coisas. Nem 15 dias se passaram e estou saindo de uma virose que me deixou de cama por dois dias com febre, dor no corpo, dor de cabeça e diarréia. Cheguei a exaustão, confesso. Exaustão física e emocional.

Saí da casa de meus pais e de minha cidade já faz quase 7 anos, sempre correndo atrás de meus sonhos, determinado, esperançoso, confiante. Passei por vários "perrengues" sim, enfrentei até mesmo cirurgia de pedras no rim, por isso quando digo de dor e exaustão sei o que digo. Mas desde que descobri o HIV decidi me preocupar com outras coisas, afinal o susto e o choque são fortes no início. Decidi me estruturar voltando a estudar, a ter uma vida mais formal para estar mais preparado quando algo ruim viesse a acontecer... Estou indo bem na faculdade e estou gostando sim, mas é complicado... Esta semana decidi sair do meu estágio. Está me consumindo tanto na parte física como emocional. Não tenho me alimentado como deveria o que acredito ter colaborado com esses dois problemas de saúde já citados.
Quero voltar para minha casa, quero estar mais próximo da minha família, de amigos. Tenho bons amigos onde estou, bons não, excelentes, mas não devo colocar a responsabilidade neles de olharem por mim. E foi complicado estar mal e ter que fazer as coisas sozinho. Fiquei preocupado e triste...
Todas essas mudanças também me deixaram distante de quem sou, e achei que estava "ok", mas não.... sei onde encontrar minha felicidade, mas hoje fico com receio de correr tanto atrás dela... sei que não deveria, mas este receio e medo - que jamais tive- anda batendo, mas já afirmo que contra isso venho lutando com as forças que tenho. E minha esperança agora é a de talvez conseguir achar um caminho para ligar isso tudo...um caminho menos distante...

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Para as pessoas que acompanham minha trajetória e também são soro+, gostaria de saber como é a relação com trabalho e se é realmente complicado morar sozinho enfrentando isso.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quase...


"Adapte-se ou morra. Não importa quantas vezes tenha ouvido isso, a lição não fica mais fácil. O problema é... Somos Humanos. Queremos mais que apenas sobreviver. Queremos amor. Queremos sucesso. Você quer ser o melhor que pode ser. Então, lutamos muito para conseguir essas coisas. E todo o resto...é como morte."

O texto novamente vem de Grey's Anatomy. Tenho escrito menos, mas acho que faz parte dessa situação de adaptação. Me adaptar com os remédios, que em alguns dias são completamente normais, mas em outros...ah como irritam. Me adaptar com situações constrangedoras devido aos efeitos colaterais o que faz com que eu volte para um texto que coloquei tempos atrás aqui... a necessidade de mentir sobre minha condição. Tem dia que isso cansa, esgota, desestimula, enfraquece.
Alguns dias tudo parece absolutamente como antes, sim posso confirmar quando dizem que hoje em dia as pessoas portadoras do vírus HIV tem uma vida quase normal.
Mas não se esqueçam...Quase...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ajuda!


Uma vez eu disse que sabia que chegaria o momento em que eu precisaria de uma ajuda profissional, um psicólogo... esse dia chegou!
Me conheço muito bem, bem até demais. Sei quando estou com problemas e normalmente como fazer para resolver, mas aprendi na vida a controlar o meu orgulho, e para muitos assuntos aprendi a pedir, pedir ajuda para as coisas... e hoje aprendo a pedir ajuda nesse sentido.
Relacionamento sempre foi o 4º item da minha vida...meu foco sempre esteve voltado na Família, Carreira, Amigos e só depois aparece o Relacionamento. Este talvez seja o maior motivo de estar com 26 anos e nunca ter namorado. E quando minha cabeça estava mudando me descobri soropositivo.
Conheci pessoas que aceitaram a minha doença...outras que eu me apaixonei mas sentiram que seria um fardo grande, nunca questionei muito nenhuma dessas pessoas pois sempre compreendi que cada um tem suas escolhas.
Faz um mês que conheci alguém bom... bom de coração e de todo o resto, alguém que eu poderia aprender a gostar muito, mas eu me saboto...e pensei que seria isso. Mas não é!
Este alguém está com diarréia...e mais que tudo, com medo. Não me culpa e disse não se importar. Mas eu me importo.
Este é o ponto que preciso de ajuda, que não sei me virar sozinho. Não quero ser o risco para ninguém. Sempre digo que o HIV é como uma arma. Podem atirar, mas se o tiro vai acertar, vai ferir ou matar depende de várias outras coisas, mas a questão é que não quero ser o atirador de ninguém, não consigo lidar com isso. Me disseram que eu devia parar de me culpar ou de querer ser um mártir, pois se a pessoa decide ficar comigo assim eu tenho que respeitar. Tenho que respeitar a decisão dela sim, da mesma forma que as pessoas tem que aceitar a minha decisão de não querer ser um risco.
Não sou santo e sempre disse isso aqui, mas quando faço sexo casual depois de uma balada ou coisa do tipo, não existe envolvimento e a pessoa que se coloca nessa situação sabe do risco que esta correndo e eu me cuido para fazer tudo com cuidado, mas quando é com sentimento fico com medo, pois não sei até que ponto a pessoa aceita por estar envolvida comigo não tomando real consciência da situação.
Não quero ser mártir nem nada próximo, quero apenas colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo, dentro do possível, e se para isso eu tiver que ficar sozinho...ok, que seja assim. Espero poder compreender melhor isso, mas por enquanto administrar faculdade, trabalho, família, amigos, doença, sonhos, expectativas, dinheiro, alegrias e tristezas já está de bom tamanho. Isso pode mudar mais para frente, e tomara que mude, mas agora será assim.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Remédios e mais nada!


"Em nossas próprias vidas não conseguimos pensar direito. Não Fazemos a escolha Final. Quando se trata de nós mesmos, não fazemos nada disso. Porque se toma seus remédios, paga seus impostos e nunca fura fila... O Universo ainda lhe dá pessoas para amar...E depois as deixa escapar por seus dedos como água. E o que sobra? Remédios e mais nada."

Mais um texto de Grey's Anatomy com que me identifiquei bastante, ainda mais nesse momento em que lido melhor com minha solidão e minha medicação. A boa nóticia é que até o presente momento, 15 dias depois de reiniciar o tratamento, não apareceram manchas...enfim acho que encontrei minha medicação! Ainda bem... agora o passo é fazer isso se tornar de vez minha realidade, minha rotina me deixando mais livre para olhar para outras coisas.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Re-Recomeço


Luan, vamos para uma nova combinação de remédios. E lá fui eu, novamente, agora com o Kaletra, Tenofovir e Lamivudina. 7 comprimidos de uma vez!

Desta vez não teve drama, cena e nem momento marcante. Estou cansado...acordei no horário da medicação e ainda sonolento tomei os remédios e voltei a dormir. Quando consigo dormir ao menos uma hora depois de tomar os remédios o mal estar é bem menor...7 compimidos...muita coisa. Teve dia que passei mal, mas confesso que torço para ser a medicação que me acompanhará pois não preciso guardar nada na geladeira e posso tomar todos em um único horário.
Hoje posso dizer com certeza que fico feliz em estar no projeto, todos atenciosos e torcendo para eu não ter reação alérgica. E eu quase neurótico olhando meus braços a cada 10 minutos desejando não ver manchas vermelhas.
Não estou conseguindo me concentrar, comecei em um trabalho novo e estou me esforçando para estar presente por inteiro, na faculdade atrasado com textos...mas me esforçando para focar... só que está difícil. Em casa um preguiça me consome absurdamente, mas não preguiça por preguiça entendem? è que a sensação é que preciso resolver qual será minha rotina de remédios para ir adiante, não ter o medo de mais uma alergia me invadindo a todo instante....ah como quero resolver isso logo.

Enquanto aguardo com os dedos cruzados me seguro como posso, aguento o mal estar e a diarréia e me levanto...aos poucos confesso...mas me levanto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Replay


Hoje eu poderia copiar e colar um post antigo, já que a situação é quase a mesma.
Novamente a primeira semana passou. Tive mais enjôos, mal estar e dor de cabeça por quase todos os dias, muito mais que com a outra medicação. Isso ocorria mais no período da manhã, já que eu tomava todos os comprimidos juntos... nossa e como são fortes... Chegava sempre na hora do almoço passando um pouco mal. E para piorar estava trabalhando em um local novo, foi meio tenso...confesso. Na semana seguinte trabalhei em um evento onde já conheço todos, foi bem mais tranquilo, mas estava muito quente e não descansei o necessário. Os enjôos ficaram mais fortes chegando ao vômito por duas vezes, a dor de cabeça começou a bater muito, muito forte. Na sexta-feira percebi que não estava bem, mas aguentei firme, no sábado não teve como. A febre veio e a cabeça parecia explodir. Parei tudo e deitei.. no início da madrugada observei manchas vermelhas aprecendo. Pensei: "Droga, tudo de novo"! Fui dormir e quando acordei elas estavam lá, por todo meu corpo, do pescoço até os pés....novamente.
Liguei para a médica e informei. Iniciei o anti-alérgico e torci para passar rápido.
Na segunda passei o dia no hospital, fizeram vários exames, ainda tinham a esperança de ser algo como dengue ou coisa do tipo, já que estranharam a febre e as dores no corpo...mas não. É pura e simples alergia...novamente.
Parei a medicação e vão tentar com uma nova, trocando praticamente tudo.

Estou cansado, cansado de esconder, de parecer forte... às vezes quero apenas ficar quieto, mas a vida continua e eu não posso para de correr atrás dela. Tomara que dê certo com a próxima combinação... tomara que eu me adapte...tomara... minha vida deu uma parada e preciso seguir, ainda não sei ao certo pra onde...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Primeiro Comprimido.... De Novo...


Esta semana retornei ao projeto, o local estava bem lotado e eu ali, morrendo de sono, muito cansado. Tão cansado que acabei ficando meio seco nesse dia, não fiquei ali remoendo as coisas. Sabia que ia chegar lá, pegar a nova medicação e vir embora.
Ainda assim, ver os comprimidos deu uma pontada em mim. Não tem como sair de um ambiente desse, nessa situação e não ter um incômodo. Me programei para começar a tomar na quinta-feira (hoje), mas confesso que esqueci... passei a madrugada de quarta para quinta acordado na internet...assistindo seriados...vídeos...ouvindo música...
Quando decidi desligar o computador resolvi dar uma olhada no blog, olhei no relógio e vi que eram 7:00h. A ficha caiu, a tensão chegou. Busquei meus comprimidos... o Combivir ( que se manteve), o Ritonavir e o Atazanavir. Esses dois últimos novos e com cápsulas grandes. Peguei o telefone e liguei para uma amiga, a que soube desde o início de tudo. Liguei e pedi para ela ficar na linha enquanto eu tomava os remédios, não queria passar, de novo, por isso sozinho.
Agora vou dormir e torcer para não ter efeitos, pelo menos não complicados como da última vez. Boa Noite...ou Bom Dia.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Novo Ano...


Estou quase um mês sem a medicação aguardando meu retorno no projeto, e confesso que fez diferença passar meu ano novo assim sem preocupação com o alarme do celular para tomar os comprimidos...
Estava um dia parado, coloquei a cabeça quase toda submersa na piscina e fiquei ali...deixando meus pensamentos sairem com aquele silêncio que prevalecia.
É fato que não foi um dos meus melhores anos, acabo de completar um ano de descoberta do HIV em mim, mas olho para tudo que aconteceu nesses 365 dias e deparo com um Luan mais maduro, com um olhar mais forte e mais consciente da minha relação com o mundo e mais ainda comigo mesmo.

Dia desses obtive algumas respostas que aguardava, e todas elas muito boas...fiquei feliz e no mesmo instante lembrei que não dava para ser feliz 100% por conta da doença...mas logo em seguida, no tempo de baixar os olhos eu os levantei novamente e disse pra mim mesmo que eu tinha sim que tentar ser feliz o máximo possível. Escutei muito a frase que diz "Se recebeu um limão, faça uma limonada" e como disse um amigo meu, na verdade acho que estou aprendendo a fazer até uma caipirinha com esse limão. Meus caminhos mudaram um pouco nesse um ano, e na maioria das vezes mudou para melhor, e isso só foi possivel pois pratiquei durante muito tempo, e em muitas situações, a arte de olhar e encontrar a parte boa em tudo e em todos. Acho que é nisso que está esse otimismo que dizem encontrar em mim... aí está a raiz da minha coragem.

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Queria deixar meu enorme carinho e agradecimento para todas as pessoas que compartilharam esses pensamentos durante esse ano. Fico imensamente feliz e lisonjeado em saber que pude ajudar algumas pessoas a entenderem esse momento complicado...e nossa, quantas e quantas vezes não tirei forças lendo e relendo os comentários. Um 2011 Excelente para todos.. saúde, coragem e muitos sorrisos!