sábado, 30 de julho de 2011

Meio Vazio.


Só gostei de verdade de duas pessoas nesses anos todos. Uma delas foi bem antes da doença e a outra pessoa foi justamente quando havia acabado de descobrir. Esta segunda pessoa foi complicada... morava longe, sofri bastante, mas também tive excelentes momentos. Neste último mês várias lembranças boas surgiam na minha mente e passei a não sofrer mais... Durante essas férias (que me obriguei a tirar!), pude fechar esse ciclo e hoje estou renovado, mas ando meio esquisito.

Me sinto vazio, tenho preguiça...principalmente das pessoas. Preguiça de conhecer pessoas novas...amigos e futuros relacionamentos também. Ando quieto...aprontando bem menos. Queria estar mais com meus primos, com amigos...mas nem todos sabem ainda e falar sobre a vida implica em falar sobre as mudanças que ocorreram na minha. Quero ficar quieto, mas isso também está me irritando...(rs)... resumindo estou bem chato!
Na semana que vem voltam as aulas, estarei bem ocupado, com isso espero voltar mais para quem eu sou. Espero deixar de olhar para o copo meio vazio e voltar a vê-lo meio cheio!

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O número de visitantes no blog tem aumentado bastante, o que me deixa bem feliz em poder estar ajudando de alguma forma - mesmo que bem minimamente - a trazer para o convívio social a vida do soropositivo. Por isso não fiquem tímidos e comentem (rs). Ou se preferirem no canto esquerdo tem o e-mail do blog. Fiquei curioso para conversar com muitas pessoas que comentaram... mandem e-mails (rs).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Você, profissional de Saúde...


Além das complicações normais que vamos descobrindo a cada dia, passamos também por um problema sério: A falta de preparo de muitos profissionais da área de saúde.
Como já relatado aqui,descobri sozinho, vendo o resultado do meu exame por uma página da internet, algo completamente ruim e que pode causar sérios problemas em pessoas menos estruturadas. Fui no dia seguinte conversar com o médico que me atendeu por conta da diarréia que já tinha completado 3 semanas. Ele, um médico já de certa idade, gastroenterologista, chefe do setor gastro de um grande hospital me disse exatamente assim:
- Bom, descobrimos o motivo, e aviso que sua diarréia só irá melhorar quando iniciar o tratamento com a medicação, por isso te encaminho para um infectologista.
COMO ASSIM??
Eu, naquele momento, ainda perdido e altamente assustado com tudo, acabei aceitando ISSO como resposta. Quando me recordo deste momento fico altamente irritado com a falta de informação de um profissional tão qualificado como aquele senhor. Ele devia ter me tratado por conta da infecção intestinal por bactéria que me afetava, mas não o fez, me deixando por mais 2 semanas com um problema intestinal que só foi solucionado por um médico conhecido da família.

O segundo caso que presenciei não deixou revolta apenas em mim, mas causou uma raiva em uma grande amiga psicóloga que me acompanhava.
Antes de iniciar a medicação fui até São Paulo resolver umas coisas, e decidi tirar umas dúvidas no conhecido Hospital Emílio Ribas. Lá, quando disse que gostaria de tirar algumas dúvidas me encaminharam para o assistente social. Um senhor que aparentava ter seus 40 e poucos anos. Minhas dúvidas estavam ligadas ao fato de eu me mudar algumas vezes de cidade, e no que isso poderia atrapalhar meu acompanhamento médico, se com isso, a melhor opção talvez não fosse centralizar meu atendimento em um local como São Paulo, que é referência e que eu sempre tenho que ir algumas vezes ao ano. Diante de minhas questões preocupadas com o melhor pra mim, chega um momento que, após ele já ter dado algumas respostas que por pouco não me tiraram do sério, ele conclui com esta frase, exatamente esta frase: Não compreendo o motivo de estar tão preocupado com sua vida!
Ao ouvir isso, minha amiga respirou fundo e permaneceu calada para evitar um conflito, eu fingi que não ouvi e fui finalizando a conversa. Não compreende o que? Ele acha que minha vida não tem mais jeito e que não devo me importar? Ele acha que não vale nenhum esforço eu tentar ter o melhor acompanhamento médico? O que ele não entende exatamente??

Com isso me recordei da campanha do ano passado, e espero que a nova geração de profissionais nos tratem com mais respeito e competência, trazendo um maior suporte físico e emocional.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sozinho não se vai muito longe...


Recebi o meu diagnóstico sozinho, sentado em frente ao meu computador e foi duro, tenso.
Sou o filho mais novo e assim que meus irmãos foram crescendo aprendi a passar a maior parte do tempo brincando sozinho... na adolescência tive um período em que estava me encontrando e a maioria dos meus amigos não compreendiam muito bem e com isso passei novamente por muita coisa sozinho, o que me fez amadurecer e me conhecer muito bem. Quando saí da minha cidade, já estava cercado de amigos... amigos bons...e por onde passei carreguei novos amigos para a vida, mas desde que saí de casa passei a ter outros momentos sozinhos.... realizei muitos, muitos dos meus sonhos, mas quase todos eles sozinho. O fato de nunca ter namorado, por sempre focar na minha carreira e nos meus sonhos, colaborou para esses momentos. Mas confesso que sempre me dei bem com a independência e com a solidão, não de uma forma dramática mas realista mesmo. Mas como já disse aqui em outras oportunidades, recebi de presente um leque de amigos incríveis, que me trazem segurança e conforto.
Uma das minhas primeiras decisões ao me descobrir soropositivo foi de que não poderia guardar isso pra mim, não poderia esconder da minha família e dos meus amigos.
Entendo e respeito quem guarda para si uma notícia dessa, mas não consigo evitar questionar esta decisão.
Raras foram as vezes em que desabei diante de alguém, sou aquele que está sempre sorrindo, sempre tentando trazer um sorriso para o rosto do outro, mesmo que por dentro lágrimas estejam escorrendo, não sei explicar, sou assim. Mas em um desses raros momentos que desabei, com medo do meu futuro, com medo da solidão, eu estava na casa de uma amiga e não me contive...entrei no quarto dela aos prantos e pedi um abraço. Dormi tranquilo depois e agradeci por tê-la ao meu lado...

Não existe certo ou errado, mas como aqui relato as minhas experiências, posso afirmar que foi uma das melhoras decisões que tomei. Poder estar em um ambiente, olhar para os lados e saber que as pessoas ali me conhecem de verdade, que não preciso omitir e nem mentir me traz um alívio...uma paz...uma força ainda maior para seguir adiante.