quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Um olhar diz realmente tudo!





Correria neste último mês. Como diria o Rei, "tantas emoções". Assim resumo este meu ano de 2012. Se for realmente acabar, será da melhor forma possível.

Escrevo bastante, falo bastante, escuto muito também e o que mais me impressionou foi o silêncio e a verdade por trás dos olhos. Reconheci grandes amigos, grandes pessoas nesses últimos dias pelo brilho no olhar. Isso não tem preço, não tem definição. Cala, emudece e exterioriza sentimentos profundos.

Momentos que não esquecerei, que foram tão fortes que até meu CD4 ficou mais alto (risos).

Como esquecer o Seu olhar no lançamento do Rio? No evento da 00? Uma energia, um amor imenso... Transbordando. Como não sorrir ao ver amigos queridos emocionados, com os olhos brilhando e refletindo tamanha alegria? Como não ficar emocionado com os olhos de meus pais demostrando o Orgulho tão almejado por mim? 

Muita coisa acontecendo, muito ainda por vir. Dramático? Sim, não nego. Faz parte do meu lado ator (rs). Muitas vezes viajo e sinto minha vida como uma grande série com uma excelente trilha sonora. Para encerrar o episódio de hoje edito este texto com os versos cantados por Luciana Mello. Um 2013 sensacional para todos nós!!

"Pra viver e pra ver, 
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem"

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Responsabilidade


Perguntaram-me dia desses com tudo isso que esta acontecendo se tenho intenção de ter uma vida em cima dos assuntos e questões ligadas ao HIV. Respondo aqui que não, sou muitas outras coisas além de soropositivo, mas é claro que quando tudo toma uma proporção maior você começa a ver outras coisas.

De colocar os meus sentimentos e pensamentos para fora ( vamos lembrar que são os meus e não estou aqui para julgar a forma que outros reagem ou reagiram diante de questões parecidas), percebi esta comunicação com outras vidas, outras pessoas.

Semana passada estive presente no Seminário RedusAids em Niterói e deparei-me com outra situação, com a força e transformação de algo pessoal em uma responsabilidade, em dar voz ao momento atual desta doença crônica, ao fato de jovens terem de enfrentar isso diante de suas indefinições e imaturidades da vida adulta. Senti naquele momento o peso e a força que eu tinha para tentar ajudar em algo.

No dia seguinte lanço o livro, amigos e desconhecidos indo prestigiar este momento. E depois mais um evento onde vi olhos de novos portadores do vírus buscando força, ajuda, informação. Sinto-me bem, feliz. Não resolvi por minha cara no O Globo por uma questão de vaidade, busquei ali a oportunidade de ajudar ao menos Uma pessoa. Sabia que seria importante passar adiante, manter esta corrente do bem, e devido aos inúmeros e-mails e comentários, na maioria de agradecimento, força ou compartilhamento de vida, tenho a certeza que algo bom foi feito.

O que irá acontecer a partir deste momento confesso não fazer a menor ideia. Se eu tiver de sair por aí falando mais sobre o assunto ou fechar este canal e continuar minha vida como ator, bailarino e produtor só o tempo irá responder. Estou por aqui, até quando ninguém sabe ;)


domingo, 2 de dezembro de 2012

Festa de Lançamento


Para quem não conseguiu ir na sexta, última chance aqui no Rio!!

Mas tem que chegar beeeem cedo. às 18h horas irá rolar uma leitura de alguns trechos do livro!

Atores convidados: Mabel CezarMariana Molina,Marina MonteiroWagner Santisteban, Miguel Rômulo e Eu! ;)

Não se atrasem... nesse horário a entrada para a festa é vip!

beijooos e aguardo todos!






Minha cara estampada


Este final de semana esta sendo muito, muito especial pra mim. Uma felicidade enorme em ter amigos por perto e participando desta conquista. Em ver familiares de longe participando, torcendo.
Decidi ir em uma festa na noite passada, para aproveitar... Dançar... Liberar esta energia que estava aqui dentro. Estava chegando em casa por volta de 3h e pouco da manhã. Perto da minha rua vejo aquele monte de jornal na fase da montagem (Isso é uma coisa bem do Rio, eles montam os cadernos na rua... Estranhei no início, em minha cidade era de outra forma, mas enfim...rs), Fui olhando para eles e vi que eu estava na Capa. Eu, com uma foto na capa do jornal O Globo.

Deu um baque, de alegria... De dor...

Quando você vê ou ouve outros falarem do seu diagnóstico é mais pesado. Mais real. Me sinto, hoje, com toda esta repercussão, mais confiante para poder cumprir meu desejo em ajudar, em passar essa história, em levar este lado Humano.

Obrigado pelo apoio, por toda a equipe que está fazendo isso crescer comigo.





Link para a Matéria:

http://oglobo.globo.com/saude/nao-posso-dizer-que-minha-vida-normal-eu-tenho-muitas-limitacoes-6895912

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Chegou o Dia!


Quase 3 anos de mudanças, confrontos internos e descobertas. Hoje venho, orgulhoso sim, mostrar um projeto que a cada dia cresce um pouco mais.

Esta semana o blog vira livro. Nem tudo que tem no blog tem no livro e nem tudo que tem no livro tem no blog. Fico feliz com esta realização. E para o pessoal do Rio, o lançamento é agora na sexta dia 30. Aguardando datas do lançamento em Ribeirão Preto e em São Paulo.



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

Poderia ser eu


O que me encanta na profissão de ator é a capacidade de contar uma história, a capacidade de se conectar aos espectadores. Aquele momento em que a pessoa que está assistindo se identifica, se reconhece no palco ou tela. Praticamente um momento de catarse.
Quase que óbvio, mas este talvez seja um dos filmes mais incríveis. Não somente pela história que é muito boa e ainda atual, mas por interpretações sensacionais.


Quando passei os canais hoje, parei no filme justamente nesta cena. Na minutagem 0:58 e 1:27 (exatamente a da imagem do vídeo) eu senti que poderia ser eu ali de tão real este olhar. Um olhar onde me reconheci. Quando pareço estar disperso e sem foco, na verdade é o reflexo da densidade da minha vida. Um minuto significa um momento, significa muitos, muitos pensamentos. Foi, pra mim, um momento de catarse, de lágrimas de libertação. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Perder


Crescemos ouvindo a importância da competição. Somos treinados para buscar a vitória. Temos que ganhar, ganhar, ganhar... 
Isso é algo muito diferente do que vivo. Digo para muitas pessoas que uma das coisas que a doença me trouxe foi a lição do "Perder".
Existem coisas maiores do que nós e , infelizmente, vejo muito isso com relação a minha doença.
Aprendi a perder muitas coisas nesses 3 anos. Perdi muito da minha liberdade. Perdi muitos sonhos. Perdi alguns caminhos. Perdi minha tranquilidade...
Com a maioria dessas perdas eu sobrevivi, encarei com força e coragem. Reconheci meus limites e segui em frente. Mas não consigo ser forte o tempo todo e não sei o que fazer... 
Hoje eu perdi uma batalha muito importante. Hoje eu perdi para minha doença, perdi para esse vírus que está dentro do meu corpo, que sai como indetectável nos exames mas que não me deixa em paz um dia sequer. Perdi para o Seu medo, seu receio e seus temores. Ele me venceu de uma forma que faz minha dor me derrotar. 
Hoje quando vi olhos te buscando e logo em seguida você, com uma espontânea animação, buscando esses olhos eu encontrei uma enorme fraqueza. Acabei me descontrolando como a imaturidade de um adolescente e não pude fazer nada. Juro que não queria mas demonstrei raiva, ciúme e tristeza.
Está doendo, muito. Quase que por um impulso eu incentivei para que o beijo acontecesse logo, para eu ver de camarote e, assim, sofrer tudo de uma vez. Mas não tive força suficiente. Tenho medo, medo de perder sua presença, sua companhia, sua amizade. Não sei como será tudo isso, o que me causa mais angústia. Perdi demais com relação ao amor, e esta, talvez seja uma das mais significantes neste processo de aceitar as perdas. 
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Apreensivo





  - Você está triste?
  - Não, apreensivo!








Durante anos ouvi que eu era alguém racional e durante um bom tempo rejeitava isso. Pensava em uma pessoa racional como alguém frio e não conseguia me ver assim. Sou artista, sou sensível... Mas os anos passam e entendemos que isso não está relacionado. Aceito hoje o título de racional. De alguém que sempre pensa muito, planeja muito. Como diria minha família, não dou ponto sem nó. Quase sempre sabia o que estava fazendo e onde iria chegar.
Ultimamente escuto muito que não posso ficar ansioso, tenho que ter calma, que não posso querer resolver tudo de uma vez, que não devo pensar tanto... 
São pedidos difíceis esses. A respiração parece estar entalada. Tenho que, inclusive, pensar para respirar fundo e não controlar essa troca de ar natural. Muitas coisas acontecendo, muitas coisas para acontecer e como fico? Tudo pode melhorar... Tudo pode desabar... Não dá para não pensar. Das poucas vezes que não racionalizei eu não obtive resultados bons né (a começar pelo meu diagnóstico)... 
Ter medo? Esperança? Ansiedade? Muita coisa para controlar e com o receio de escolher algo fico assim, como em suspensão, apreensivo.
Fase. Talvez seja mais uma destes quase 3 anos. Tento um dia de cada vez. Tomara que...

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Corrente do Bem


" Quando seguimos nosso coração, quando escolhemos não fechar acordos... É engraçado, não? Um peso a menos. O sol brilha um pouco mais. E, pelo menos por um momento... Nós encontramos um pouco de Paz"


Grey's Anatomy



Quando decidi compartilhar minha condição com as pessoas próximas vi muita coisa boa nascer disso. Vi alguns amigos que levaram esta mudança de olhar para suas vidas pessoais, e outros mais do que isso, para suas vidas profissionais também. Acredito muito no conceito da Corrente do Bem.
Hoje venho celebrar um pouco isso. Um grande e querido amigo me disse mais ou menos isso um tempo atrás:
 "... Depois de tudo isso não consigo ser o mesmo. Você me mudou. Questiono muito hoje sobre minha posição no mundo..." 
Um tempo depois ele me disse que havia deixado um de seus empregos e estava se empenhando em um novo projeto com mais dois sócios. Eu achei bom, gosto quando as pessoas mostram coragem para seguir seus sonhos, seu coração. Meses atrás ele me chamou para conversar, nem imaginei o que era. Disse que queria me mostrar o projeto dele, mas que estava receoso com o que eu poderia dizer. 
Quando eu vi o modelo do site fiquei muito mexido, por milhões de motivos, mas o mais forte foi sentir que era possível transformar coisas ruins em boas. Era possível tocar as pessoas. Unir trabalho com objetivos bons. Ele estava ali me mostrando os conceitos do "Amizade Positiva". O primeiro site de Relacionamentos do Brasil para Doentes Crônicos. 
Achei a proposta incrível, ainda mais quando ao pensar em internet sempre temos a sensação de desconfiança, mentira e omissão. Isso tudo nós, doentes crônicos, já passamos diariamente e esta é a oportunidade de encontrarmos um pouco de paz. A chance de conhecer amigos e futuros relacionamentos amorosos embasado na sinceridade com relação ao nosso diagnóstico. Oportunidade de conversar com pessoas que enfrentam dificuldades parecidas, e também a oportunidade de nos mantermos informados sobre nossa doença. 
Iniciativa mais do que aprovada. Indico - com certeza - para todos aqueles que querem ver o sol brilhar um pouco mais. Somos humanos. O amor e o contato devem existir sempre, independente do que carregamos conosco. Vale a pena acreditar. Só nos resta passar adiante esta corrente... Para conhecer este maravilhoso projeto clica aí do lado, já está no ar!! 

domingo, 7 de outubro de 2012

Nada... Tudo!!



No meu aniversário de 2010 eu ainda não tomava remédio algum... Não tinha inserido na minha rotina o HIV de uma forma mais ampla. Havia acabado de voltar a estudar e estava tentando entender tudo que estava acontecendo comigo. Muita gente não sabia de mim e eu buscava muitas respostas para tantas perguntas. Tinha muita energia para esconder, disfarçar e sorrir muito. Tinha medo de ficar tocando no assunto com minha família, tinha medo de fazer eles sofrerem mais... Tinha medo de eu sofrer mais. Foi neste ano que me apaixonei pela segunda vez na vida, tive momentos bons, mas também comecei a entender as complicações que meu diagnóstico iria trazer. Na data oficial eu saí com uns amigos e revi pessoas. Não me lembro de muitos presentes.
Já em 2011 muita coisa havia se transformado. Lembro-me de ter acordado e arrumado minha mochila. Nem na aula eu fui. Saí sozinho e segui rumo ao Rock in Rio. Foi bom, mas também estranho. Estava lá sozinho... Observando tudo e aproveitando o que conseguia. Mais tarde uma amiga chegou. Pode não ter nenhuma relação, mas fazer aniversário no dia do show em homenagem ao Legião Urbana, cantar e deixar as lágrimas escorrerem na hora do "... há tempos são os jovens que adoecem..." foi realmente marcante. Lavei a alma nesta data querida..
2012... tudo muito estranho. Muito mudado. Dias antes da data eu surtei, não queria comemorar, não encontrava motivos para isso. Fico mais velho e ainda assim continuo com grandes problemas financeiros. Estou encerrando a faculdade e os medos e incertezas - normais nesta fase - batem cada vez mais forte. Respostas que aguardo tem um tempo ainda não foram respondidas. Um ano onde me apaixonei pela terceira vez e os problemas se repetiram. Sofri, chorei e acreditei que daria certo. Passei por isso... Tá, não passei, to passando... Tentando. Ano em que fiquei como nunca de frente para a minha doença, ano em que me sinto mais forte e tranquilo para falar sobre ela. Ano em que pequenas coisas ganharam grandes proporções. Em que sonhos voltaram a nascer, junto com a dor e a angústia. Ano em que enxerguei  meu crescimento, meu amadurecimento. Hoje, nesta data, eu começo a ver a coragem muitas vezes repetida pelos lábios das outras pessoas. Hoje eu acredito em algumas pessoas, acredito em algumas coisas. Grande presente este...voltar a acreditar... Os outros presentes? Ganhei muitos e bons. Ganhei momentos e pessoas. Parabéns.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Grande Maurício!



Proposta do gibi é ajudar a disseminar informação e combater o preconceito (Foto: Divulgação)
A Turma da Mônica ganhará dois personagens especiais. Saudáveis, Igor e Vitória levam uma vida normal, e são portadores do vírus HIV/AIDS. A publicação pretende abordar as formas de infecção da doença, o que é o vírus, como conviver com crianças soropositivas, e o impacto social causado pela patologia.
“Uma criança portadora do vírus HIV/AIDS, por exemplo, não tem culpa de ter contraído o vírus e é vista com receio pelos próprios coleguinhas e seus pais. Por essa razão precisamos já promover sua inclusão junto aos seus colegas na escola. Serão adultos melhores”, afirma o cartunista Maurício de Souza.
A tiragem inicial, de 30 mil cópias, será distribuída gratuitamente em brinquedotecas, nas pediatrias dos hospitais da Rede Amil, postos de gasolina da Rede Petrobras e em hospitais públicos da Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal. Em 2013, a publicação deve ser lançada em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife.

É disso que eu to falando... abordar mais o tema e não apenas com o intuito da prevenção - que de fato é importante - mas também os efeitos e todo o lado social do assunto. Super apoiado. Quero muito ver esse material, se alguém do Distrito Federal quiser fazer a gentileza... (rs)
Quando Criança eu era o Cebolinha... agora terei que ser o Igor então?!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Respirar fundo


Quando você pensa que está forte o suficiente para acreditar que as crises e surtos de 5 minutos (ou mais) não irão incomodar, eis que você enxerga a verdade. Que fique claro, minha vida é quase normal. Mas não consigo ignorar os fatos.
Passei por dias difíceis sim, e ainda não está tudo bem. Mas depois que você consegue respirar fundo a dor fica mais amena. Sua estrutura consegue, aos poucos, voltar ao eixo.

Percebo agora que não são os surtos que diminuíram. Acho que é a capacidade de aguentar esta dor que aumentou. Com isso vou segurando por mais tempo, pelo máximo que consigo. Mas é necessário colocar para fora esse acúmulo, do contrário até a respiração fica incomodada.

sábado, 8 de setembro de 2012

Meu Desejo


Eu me enganei e agora não sei como consertar isso.
Sou muito racional e sempre fui. Desde novo eu sabia que a profissão de ator era muito inconstante e por isso comecei a estudar e a me dedicar cedo. Acreditei, de verdade, que o esforço valeria a pena, mas que com 30 anos eu poderia ter uma vida. Ser realmente independente de tudo e todos, e mais do que isso, que eu poderia estar ampliando esta minha vida. Acreditei que com 30 estaria com uma casa e poderia constituir uma família, sonhei com isso, desejei isso. Não me importava se me casaria com mulher ou com homem, eu seria um pai de família e teria meus filhos. Daria um jeito para isso... Realizaria meu maior objetivo...
Mas hoje, hoje não me aguento de tanta dor. Talvez o "Inferno Astral" esteja ajudando, mas não quero comemorar nada. Meu aniversário chegando e estarei com 28. Me olho no espelho e só o que eu vejo é alguém sem nada. Alguém galáxias de distância do que esperava da vida. Não quero parabéns.
Com o HIV eu aprendi - de certa forma - a lidar, mas e com minha vida toda? Hoje eu não danço mais, hoje eu raramente estou em um palco, hoje eu não sei mais quem sou e muito menos para onde eu vou. Tenho centenas de pessoas ao meu redor, mas no fundo estou sozinho, e assim foi durante esses quase 28 anos. Orgulho-me do ser humano que me tornei, mas não me orgulho da minha vida. Me esforço muito para demonstrar minha gratidão para cada pessoa que me ajudou, e passarei a vida fazendo isso, pois sou realmente grato por cada um. Mas não dá mais, não consigo mais. Acordo todo dia tirando uma energia que não sei de onde para me agarrar nas coisas que eu tenho, mas não sei... Não sei... Não sei de absolutamente nada...
Hoje eu queria acordar e ser como era antes. Ser quem eu era. Hoje eu queria ser feliz. Não quero festa, queria passar sozinho. Só queria o bolo e vela, para eu apagar desejando parar de sobreviver e poder voltar a Viver.

Existir cansa!


Estou cansado, na verdade exausto. Não quero dó de ninguém, Deus me livre, mas existe uma diferença enorme entre isso e o simples fato de não esquecerem o que tenho. Não sou o mesmo que era 3 anos atrás, e não teria como. Para tentar ao menos ser algo próximo é necessário um esforço enorme. Não só mental, mas físico mesmo. E isso cansa, muito. Sorrir cansa. Manter o corpo atento cansa. O olhar focado cansa. A energia na voz cansa. Cuidar da minha aparência cansa. Lutar com os problemas financeiros cansa.
Hoje, em muitos momentos, a felicidade dos outros não me faz muito bem. Entendam que não tenho inveja, -é bem diferente - tenho tristeza por mim. O fardo está pesado. Não quero estar em festas e outros eventos, pior ainda se for um dia tenso e estiver sozinho.
Não sei exatamente porque to dizendo isso, só estou cansado. Hoje é um daqueles dias que eu não queria existir, ou quem sabe existir em um mundo paralelo... Uma outra vida talvez.

sábado, 1 de setembro de 2012

CTA São Bernardo do Campo - Exemplo


Quando conheci meu diagnóstico fui direto ao serviço público de saúde entender o que iria acontecer comigo a partir daquele momento. Fui, principalmente, por ter como norte a informação da estrutura brasileira para o serviço do HIV/AIDS. Desde então não abri mão do serviço público de saúde. Confesso que para outras especialidades e os exames laboratoriais opto pela utilização do meu plano de saúde, mas para o acompanhamento com o infectologista gosto do serviço que me é prestado. Acho importante frequentar esses espaços não somente pela qualidade e avaliação constante do serviço oferecido, mas também para manter meus pés no chão, conectado com outras histórias e realidades.

Esta semana tive a oportunidade de conhecer o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) de São Bernardo do Campo - SP. Fui para conversar com alguns dos responsáveis do programa e me deparei com uma estrutura exemplar. Começando pelos corredores e cores das paredes, pode parecer bobeira, mas faz uma grande diferença estar em um local que te conforta. Boas salas de atendimento e o que mais me impressionou: Uma academia com um fisioterapeuta muitíssimo atencioso e focado em ajudar, já que o foco lá é, além da qualidade de vida, cuidar de problemas como a lipodistrofia. ( apareci de "surpresa", por isso vi o funcionamento de verdade) e também uma sala odontológica para resolver os problemas de saúde bucal. 

Fiquei realmente impressionado, ainda mais comparado com as coisas que já vi relacionadas à este assunto. Um exemplo a ser seguido. 

Enquanto estava lá observei um rapaz chegando bem tenso para fazer o teste rápido. Ao sair da sala, um bom tempo depois, pude concluir o resultado de seu exame. Lembrei de como recebi o meu, e respirei aliviado pelo rapaz ter tido toda esta estrutura lhe dando suporte. 


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Casa de ferreiro...


Muito ainda está por vir, justamente pois chegou um momento que esta troca que acontece aqui no blog fez eu perceber que algumas coisas estão se tornando maiores do que eu e fica impossível ignorar alguns fatos.
Não sou mais o mesmo e não teria como. Depois de quase 3 anos percebo meu amadurecimento não apenas em relação à doença mas em toda minha vida. Isso ocorreu também pela troca aqui existente. E-mails de pessoas me apoiando e outros em que pude apoiar alguém, isso é transformador e tocante.

Existe um colega próximo passando pela mesma doença, mas no caso dele, ninguém sabe. Apenas um amigo em comum sabe e veio falar comigo por conta de sua preocupação. Hoje passei por um momento típico de seriado pois, diante de uma situação, não consegui mais aguentar este fardo e comentei com um outro amigo nosso com a intenção de conseguirmos fazer algo para ajudar. Sei que cada um leva a doença da sua forma, mas diante de pesquisas que venho fazendo, minha maior luta é justamente para a redução deste preconceito existente no portador do vírus. Me sinto com as mãos atadas e impossibilitado, justamente eu que consegui ter um alcance muito bom devido ao blog e minha postura, não sei como ajudar alguém tão próximo. Que sensação ruim. Não vou passar por cima do desejo dele, não irei confrontá-lo, mas tentarei ficar atento pois me preocupo.
Muitas vezes o silêncio é uma forma de lidar com situações complicadas, mas também pode ser uma maneira angustiada de pedir ajuda! Espero que fique bem... e me desculpe =/

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Orgulho


Quando se tem uma família como a minha, que sempre me apoiou, que me ama e se preocupa comigo, acho que é natural buscarmos uma forma de deixá-la orgulhosa.
Existe uma data chegando, uma data extremamente importante. Vou conhecer meu sobrinho e meu outro irmão acaba de pedir sua namorada em casamento. Meu pai esta radiante e por isso resolveu festejar.
Também estou radiante e já conversei sobre isso com uns primos e até comentei por alto com minha terapeuta, mas existe uma dor, uma dor que racionalmente sei que não deveria estar ali, mas não consigo controlar. Meus pais estarão naquele momento orgulhosos de meus irmãos, mas e de mim? Quando vou conseguir deixá-los orgulhosos?
Talvez seja - hoje - uma de minhas principais metas. Quero poder retribuir todo este amor, toda esta dedicação que encontro em minha família. Quero um dia levar um sorriso sincero e que possam ter orgulho de mim. Não quero que pensem que erraram ou falharam, pois isso não é verdade. Mas sempre acho que o fato da doença nunca vai deixar que fiquem 100 % orgulhosos de mim. Tá, sei que não devo pensar assim, mas como já disse, é incontrolável, pois na verdade não penso. Eu sinto, e isso aperta aqui dentro. Mas entendo que é uma questão comigo e não com eles. Sei que em algum momento nesse dia que se aproxima eu irei engolir uma lágrima, mas como bom otimista vou olhar para os lindos olhos de meu sobrinho e sorrir. Quero gargalhar tão profundamente como as crianças são capazes de fazer e nesse momento sei que não estarei preocupado, quero sentir-me livre e mesmo que por um instante ser capaz de visitar a Terra do Nunca.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Enfim o Divã!


Relutei muito, e não por não gostar ou não querer, realmente não foi isso. Na verdade eu estava lutando, tentando ao máximo buscar respostas por mim mesmo, pelos anos observando tudo e todos, anos questionando meus atos e pensamentos, questionando a sociedade em que estou inserido. Mas para tudo existe limite e o meu já estava se aproximando. Até aí tudo bem, decidi que era a hora de buscar ajuda profissional, mas o ato de procurar este profissional foi meio longo.
Quando se pensa em sua saúde na maior parte do tempo existem dias que você não quer se preocupar tanto. Por exemplo: Preciso ir em um dermatologista, minha queda de cabelo vem aumentando, mas acabo não marcando... preciso ir em um otorrino fazer uma limpeza em meu ouvido, sempre deixo pra depois. Com a Terapia foi a mesma coisa. É um desgaste sempre estar preocupado com tudo. Confesso que não sei como os hipocondríacos aguentam.
Como dependo do convênio para a escolha da psicóloga, ficava sempre receoso pois queria encontrar alguém que me trouxesse uma boa sensação.
Hoje fui na primeira entrevista. Saí aliviado. Gostei da sala, da música ambiente, dos móveis e o mais importante: Da energia do ambiente e da psicóloga. Me sinto otimista e ansioso por este novo momento, este novo tratamento que estou iniciando.

Agradeço minha prima e alguns amigos por incentivarem esta busca. Mas hoje agradeço em especial uma das pessoas que ultimamente vem sendo uma das mais constantes em minha rotina. Obrigado, e tenho certeza que irá me ajudar muito, e que as coisas vão melhorar.
.
Independente de ter uma doença ou não, este mundo anda cada dia mais tenso, confuso e doloroso. Ter alguém ajudando neste processo chamado vida só tende a ampliar as possibilidades de alcançar o sucesso pessoal. Recomendo!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pergunta importante



"Todo dia que não está morto, debaixo da terra, ao acordar de manhã terá de tomar decisões. Tem que fazer a si mesmo esta pergunta: Eu vou acreditar nas coisas ruins que os tolos disseram sobre mim?" 


Crianças são maldosas, o ser humano é maldoso, e quando falamos de preconceito e bullying apenas quem já passou de verdade por isso sabe qual é a sensação das agressões verbais (às vezes físicas) que nos fazem ficar em dúvida sobre quem somos. 
Quando optei por informar as pessoas ao meu redor sobre minha condição de saúde, minha condição de vida, muitos ficaram ( e ficam ) com receio da resposta da sociedade. Não tenho mais tanto medo assim, desde novo sei como é isso. Sei o que é ser insultado, agredido verbalmente, julgado e condenado por coisas que nem tinha noção, por coisas que não tinha feito e não compreendia de verdade. Algumas vezes acreditei no que os tolos disseram... Mas o tempo foi generoso comigo, transformou-me em alguém que me orgulho. Aprendi a não acreditar e isso me tornou mais forte. Mais forte para encarar esta nova condição da minha vida. Mais forte para enxergar as pessoas ao meu redor.


"Nunca ninguém tinha me perguntado como era ser eu. Assim que eu disse a verdade sobre isso... Eu me senti Livre!"

Entendo que cada um tem sua vida, seus medos, suas crenças. Mas afirmo aqui que está frase aí de cima é verdadeira. Infelizmente nós - soropositivos - temos uma condição eterna (por enquanto), e por ser uma doença que não é passageira, sentir-me livre diante da minha família e dos meus amigos tornou-se um dos melhores momentos. Temos uma doença que qualquer pessoa pode pegar, qualquer uma que se descuide, não tenho vergonha dela.... não tenho vergonha de mim. Recomendo a liberdade. Sei que ela não vem de maneira fácil, não surge sem luta e coragem....mas ao menos pra mim está valendo a pena.

OBS: Frases do Filme - Histórias Cruzadas

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O que combina?


Mês que vem volto com um texto melhor... hoje apenas fiquei pensando sobre um ocorrido no final de semana.
Estava em uma reunião de amigos e um deles (um amigo recente que apesar de saber da minha condição de saúde, não sabe ainda muito sobre mim) estava conversando comigo, e em algum momento eu disse algo sobre estar menos alegre. Aí ele disse mais ou menos assim:
- Ah, mas isso não combina com você, alegria sim.

Fiquei quieto na hora, mas me preenchi com uma dúvida: " Mas o que eu faço se minha vida não combina mais comigo?"

domingo, 13 de maio de 2012

Resposta ao Góes!!


Gostaria de saber se os coquetéis atuais impedem aquele tipo de estágio que a gente conhecia antes,quando uma gripe era capaz de se transformar em pneumonia num portador de HIV ou isso depende da reação de cada organismo?Thanks.

Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que não sou médico (rs), e o que divulgo aqui são coisas que pesquisei e que acredito.Vamos lá....
Acho que tudo depende de cada corpo, mas antigamente isso acontecia justamente por não termos muitas opções de medicação, o que impossibilitava de manter o CD4 alto (que cuida do nosso sistema imunológico). Mas o risco sempre existe. Confesso que desde que descobri a doença raramente peguei uma gripe, mas outras infecções, mais difíceis de se prevenir acabam ganhando espaço e por isso o cuidado tem que ser o mesmo. Da mesma forma que ninguém proíbe você de beber ou tomar chuva por conta do tratamento, mas se você sabe que isso enfraquece seu corpo, prejudica sua resistência por quê fazer? Ficar atento continua sendo importante, mesmo com as chances de coisas mais catastróficas acontecerem estarem reduzidas.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Concentração


Pensa em alguém que sempre fez muitas coisas diferentes e ao mesmo tempo, alguém com o pensamento a mil, com energia e foco....pensou? Este era eu.Era.
Teve um dia ano passado que eu jamais me esqueci. Estava em meu estágio e depois de uma semana muito atípica onde atrasei serviço, esqueci chave e várias outras coisas pequenas fiquei me questionando muito. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Não era meu normal. Eu sabia os telefones da maioria das pessoas de cor, até RG eu sabia de outras pessoas de cabeça. Achei tudo muito estranho e resolvi investigar. Foi aí que encontrei na internet vários textos e reportagens dizendo sobre como o HIV pode atacar a parte neurológica e afetar a memória , e mais ainda unido aos problemas psicológicos.
Na pesquisa da qual faço parte, além dos exames de sangue e outros físicos testamos a parte neurológica e respondemos questionários psicológicos também. Na parte neurológica os testes são de coordenação motora e memória. Confesso que como bom competidor eu adoro os testes, sempre busco meu melhor, mas já ando perdendo, meus resultados caíram... e na parte psicológica existem questões como a quantidade de dias que não se sentiu disposto para fazer a maioria das coisas, a quantidade de dias que sentiu desmotivado e sem foco para realizar suas tarefas.
Que fique claro aqui que não sou hipocondríaco, minhas pesquisas vieram após começar a sentir as coisas diferentes, viu!
Pode parecer bobagem, coisa pequena esquecer chaves e tudo mais, mas me preocupo. No Profissão Repórter que abordou o tema, mostraram uma mulher que muitas vezes se perde, não reconhece nem os filhos direito. Tenho medo, e mais que isso, tenho ficado perturbado com o fato de sentir esses dois fatores me abatendo. Tenho coisas para fazer, mas não sou o mesmo, não consigo me focar, muitas vezes não consigo  buscar sozinho esta energia necessária. Tem vez que o dia simplesmente passa e no final dele, me revolto por não ter me obrigado a realizar minhas funções. Queria que fosse simples assim... volta concentração...volta!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sexta-Feira


Acabo de ficar 15 minutos em um banho de assento onde, além da água morna da bacia, lágrimas tornaram-se inevitáveis por todo o período. Não é assim que eu esperava que fosse minha noite de sexta, não é assim que a maioria dos jovens visualizam sua noitada. Como já disse aqui, um dos efeitos colaterais do meu remédio é o fato de eu ir muitas vezes ao banheiro e isso facilita para causar infecções. Exatamente um ano atrás passei pela primeira experiência e, esta semana, ele voltou: O Abscesso Anal.
As dores começaram dias atrás, mas iam e vinham, comecei a procurar um proctologista, mas o único que fui - me desculpem- não gostei... um senhor, já bem de idade, que nem conseguiu me examinar direito. Saí frustrado mas não poderia fazer muito além de seguir suas recomendações e como não era minha primeira vez já conhecia os procedimentos. Mas desde ontem, nossa, dói, dói muito ( e já tive 2 pedras nos rins, sei o que é dor!). Estou sozinho em casa, continuo solteiro e - infelizmente- minha família está longe. Devido ao pouco orgulho que ainda me resta, não consigo ligar para alguns amigos. Amanhã , se nada melhorar, irei até a emergência do hospital e pedirei para drenarem. Perdi a oportunidade de um bom trabalho simplesmente porque há 3 dias não consigo ficar mais do que 10 minutos sentado no computador. Está complicado, não apenas isso...mas TUDO isso.
Me dei conta que antes tudo era mais fácil pois tinha consciência de que era feliz, hoje eu procuro ser feliz... esta aí uma grande diferença. Meus 10 minutos estouraram, vou deitar! Bebidas? Diversão? não...para esta sexta optei por meus comprimidos e um travesseiro mesmo...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

De Repente...


É assim, de repente você acorda todos os dias ás 7 horas da manhã para tomar a medicação... De repente você nem sabe mais quantas vezes foi ao banheiro, se foram 5, 6 ou 10... De repente as pessoas estão falando com você sobre a doença... De repente você se olha no espelho e... e... é isso!
Se eu ainda sofro? Claro! Tem dias que dói. Dói quando o medo de passar mal é maior do que a vontade de beber um pouco na balada, dói quando encontro pessoas que poderiam me fazer felizes estão acompanhadas de novas pessoas, dói quando conheço alguém novo e não sei se me boicoto antes de sentir algo e sofrer mais ainda, dói quando penso em meus pais, dói quando penso em mim. Mas como eu disse, agora isso ocorre em períodos mais espaçados. Consigo sorrir de verdade, consigo olhar para meu futuro.
Venho escrevendo menos, e já havia decidido só escrever aqui coisas relacionadas ao HIV, e aos poucos ele entra na minha rotina. Desculpe não ter muitos textos novos, mas saibam que continuo aqui na luta e coisas boas estão para se concretizar. Aí sim irei comunicar todos!

domingo, 18 de março de 2012

Sem Medo!


Estou há dias tentando entender qual é o meu problema, dias não, acho que semanas... anos. Desde que iniciei minha vida "amorosa" eu tive oportunidades de estar em um relacionamento de verdade, mas disse não, corri, fugi de todos pois pensava que poderia me tirar de um foco maior da minha vida. Uma vez minha mãe disse uma frase que era mais ou menos assim: " Mais importante do que ficar com seu grande amor, é reconhecer quem foi". Muitas vezes não ficamos com nosso grande amor e hoje entendo melhor isso. Sei quem foi, sei o quanto me fez feliz  - mesmo que da sua maneira - e com isso criei uma referência.
Já ciente da doença, sem saber muito sobre o filme, assisti  'Preciosa', não sabia que abordava o tema, e depois da cena de quando ela se descobre soropositiva, vem uma cena linda onde ela se revolta e diz que ela nunca nem havia namorado ainda. Aquilo me doeu, muito, pois também é a minha realidade.
Um dia, em uma conversa bem olho no olho, me perguntaram se eu tinha medo de morrer. Eu, sem pensar muito, respondi que não. E isso é verdade. Não tenho mais medo de morrer, tenho medo de deixar de viver e isso é uma grande diferença. Passei a olhar a morte como próxima e não apenas por conta do HIV , mas como uma realidade, como algo que pode surgir a qualquer momento. Hoje sinto que não tenho tempo para jogos, para brincar de gato e rato. Sei qual é o tipo de pessoa que pode dar certo comigo, sei quem eu quero ao meu lado, como já disse, tenho referências boas. Se eu estiver curtindo, gostando eu não vou negar. Desculpa, vai ser perceptível para qualquer um meus sentimentos, e sou assim mesmo. Não quero mais perder tempo.Não interpretem como uma pressão, como desespero, pelo contrário, se não for o que quer me fale. Sou tranquilo para falar sobre, e amizades podem brotar assim. Mas não me engane, não minta, não fuja. Isso pode doer mais e na maioria das vezes dói mesmo. Não é o medo de morrer, não é o medo de ficar sozinho, não é o medo de levar um não, mas sim a ilusão de uma falsa verdade que ainda me dá medo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Atenção aos Triglicerídeos!


Cumprindo a minha rotina, dias atrás retornei na médica. Tive notícias boas e ruins.
A boa, na verdade é ótima: meu CD4 está em 1500!!! Realmente fiquei feliz, mas em seguida veio o susto. Minha taxa de Triglicerídeos vem aumentando de maneira significativa, de 200 há 2 anos atrás já chegou aos 400. A médica disse que isso pode ter originado pelo fato de eu ter parado a maioria das atividades físicas que eu fazia, além do tratamento anti-retroviral colaborar também. A atenção deve dobrar e o acompanhamento de uma nutricionista torna-se necessário.

Informação é sempre bom repassar!!

Triglicerídeos Alto

(Informações e Dicas) 
Triglicerídeos são uma forma de gordura que circula na corrente sangüínea e é armazenada no tecido adiposo do corpo. O nível alto de triglicerídeos está associado a um aumento no risco de doenças do coração, especialmente quando está associado a colesterol alto e outros fatores de risco.
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não é só uma dieta com excesso de gordura que causa um aumento no nível de triglicerídeos. O excesso de carboidratos (especialmente açúcares) e calorias em geral faz a concentração de triglicerídeos no corpo aumentar.
Um nível elevado de triglicerídeos pode ser conseqüência de outras desordens, como diabetes não controlada, por exemplo. O nível de triglicerídeos, assim como o nível de colesterol, pode ser detectado em um exame de sangue. Este deve ser feito em jejum.
Além de aumentar os riscos de doenças do coração, níveis muito altos de triglicerídeos podem causar pancreatite e hepatoesplenomegalia (aumento de fígado e baço) e depósitos de gordura na pele chamados xantomas.

Níveis de Triglicerídeos:

NormalMenor que 150 mg/dL
Um pouco elevado150 a 199 mg/dL
Alto200 a 499 mg/dL
Muito alto500 mg/dL ou maior
* Fonte: http://www.corpoperfeito.com.br/ce/triglicerideos_alto

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Preconceito


Uma vez, quando discutiam sobre o Kit Gay nas escolas começaram a compartilhar um vídeo que falava sobre o Bullying em obesos e negros e que não entendiam  o porquê de os Gays fazerem tanto "auê" com isso. Aí eu pergunto: alguém já viu um magro sendo chamado de gordo? ou um branco de negro? A questão é que com a ascensão das mulheres (mais do que digna) na nossa sociedade, pararam de usar termos como mulherzinha para diminuir alguém, isso passou a ser exemplificado com os termos Bicha, veado, gay... Chamar um Homossexual de qualquer um destes termos não é problema algum, o problema é utilizá-los para servir de pejorativo para qualquer coisa. Quando alguém faz uma barbeiragem no trânsito a primeira coisa é gritarem Veado, quando um cara erra o chute no futebol, lá se vai mais um: Bicha! É disto que estamos falando, de uma sociedade que culturalmente aprendeu a menosprezar os grupos e a transformar tudo que está relacionado a eles em coisas pejorativas.
Onde quero chegar com isso? Simples, nós - doentes crônicos - também somos de um grupo, de uma minoria e não podemos deixar que esta mesma sociedade nos faça acreditar que somos menores que alguém, que podemos menos por carregarmos uma deficiência, um vírus ou algo similar. Antes de tudo isso somos seres humanos e somos cidadãos. Merecemos respeito e dignidade como qualquer outra pessoa. A luta social esta apenas no início.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os sonhos estão voltando...


Alguns medicamentos eu sei que podem causar insonia, mas não é o caso dos meus e ultimamente - não sei ao certo o motivo - venho sofrendo com algumas noites mal dormidas, mas os sonhos a que me refiro no título são outros.
Uma das maiores dores que o HIV me causou foi justamente de ter, em um primeiro momento, me tirado a capacidade de sonhar. Como sempre digo, sei que o tempo  é  - de verdade - o melhor remédio para tudo, e realmente tudo são fases nesta vida. Depois de pouco mais de 2 anos passando por um turbilhão de mudanças na minha vida e encarando confrontos internos e externos realmente me vejo buscando aquele brilho antigo dos meus olhos.
Trabalho com arte e cultura e isso traz uma grande dificuldade no quesito estabilidade financeira. Estabilidade que encaro como importante para manter uma vida saudável evitando complicações por conta da doença. Fui fazer uma faculdade, passei a me focar em outras coisas justamente com esta preocupação. Mas não adianta, sei onde eu quero chegar, sei onde está a importância do meu trabalho e se a doença dificulta questões de relacionamento, de paternidade e de muitos outros "detalhes", isto, estes sonhos e desejos ela não irá roubar de mim.
Ficarei acordado quantas noites forem necessárias, pois o meu sorriso sincero merece estar estampado no meu rosto. Devo isso a mim e para tudo isso se concretizar basta uma única coisa:  A minha vontade!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Esse é um desses dias!


Artie: Olha, eu não fui sincero com você. Eu quero mesmo ser seu amigo, mas não acho que deveríamos namorar.
Becky: É porque sou muito intimidadora?
Artie: ... É.
Becky: Entendi... Vejo você depois.
(Becky anda pelo corredor e sua voz, em off, continua a narrativa)
Eu não perguntei a ele o que eu queria perguntar. Eu não perguntei se ele não queria ser meu namorado porque eu tenho Síndrome de Down. Eu não perguntei porque eu sei que a resposta é sim. Em alguns dias é chato ser eu. Esse é um desses dias. Foco, Becky. Não deixe eles verem você chorar.

Hoje o seriado mudou. Queria colocar o vídeo aqui pois merece ser visto pelo excelente trabalho desta atriz. Estou falando de Lauren Potter, uma atriz com Síndrome de Down do seriado Glee.
Muita coisa muda na vida, poucas são imutáveis. É difícil para alguém que não tem Síndrome de Down, HIV, uma deficiência física, entre outras, entender este sentimento na sua mais profunda verdade.
A vida pra quem diz NÃO segue, e é assim que deve ser. Mas a nossa... já é um outro processo.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Riscos



Dia desses um amigo saltou de parapente no Rio. Fiquei me questionando o motivo das pessoas fazerem este tipo de coisa sabendo que existe um alto risco de acontecer algo grave, e percebi que isto é viver, é encarar os riscos e acreditar no que vale a pena.
Se pararmos para pensar já nascemos correndo riscos, saímos de um procedimento complicado para entrarmos no mundo. Quando deixamos de engatinhar estamos enfrentando o risco do tombo ser maior, mas ainda assim vale a pena para podermos estar de pé. Quando fazemos 18 anos e tiramos a carteira de motorista, o risco de sofrermos graves acidentes no trânsito é enorme. Amar traz o risco de sofrer. Fazer uma faculdade traz o risco de estudarmos mais a fundo um assunto sem segurança nenhuma de emprego. Uma viagem de avião, um esporte radical, uma cirurgia... somos rodeados de riscos e é isso que faz a vida andar. Viver é enfrentar esses riscos sabendo que a recompensa vale mais.

Esse é o nosso caso. Nós soropositivos trazemos um risco sim, mas que pode ser bem pequeno se feito tudo com segurança, e a recompensa... a recompensa pode ser inacreditável, pode ser um sorriso sincero, um olhar cativante e um sentimento profundo.

Ah, o salto dele foi ótimo, a vista tão incrível que ele disse que faria tudo de novo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Chegou


Depois de férias, viagens e fazer coisas que realmente tocam meu coração e enchem meus olhos de brilho, olho para a tela do computador, coloco umas músicas, lágrimas vão chegando e sinto meu coração se encher...
Não são lágrimas tristes, são lágrimas de libertação, de felicidade... de esperança. Esperança essa que estava nos últimos tempos bem diminuída. E de onde vem isso? Juro que não sei...apenas me sinto assim. Acredito que venha dos sorrisos sinceros que retribui nesses últimos tempos, acredito que venha da realização de me olhar no espelho e me enxergar naquele reflexo. Enxergo o garoto otimista (a tristeza presente sim, mas mais controlada), o garoto que tem sonhos, que tem uma família incrível e amigos maravilhosos... aí me sinto forte o bastante para acreditar, sim, que este ano será melhor. Me cuidar tornou-se prioridade. As expectativas para este ano estão  em minha saúde, em concluir minha faculdade, em me estabilizar um pouquinho financeiramente para ser capaz de realizar alguns sonhos materiais, em realizar alguns projetos e tentar me divertir, mesmo que sozinho.
2012 chegou, e com ele trouxe a vontade de acreditar...acreditar nas possibilidades, acreditar nas pessoas e principalmente acreditar em si mesmo!