segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Casa de ferreiro...


Muito ainda está por vir, justamente pois chegou um momento que esta troca que acontece aqui no blog fez eu perceber que algumas coisas estão se tornando maiores do que eu e fica impossível ignorar alguns fatos.
Não sou mais o mesmo e não teria como. Depois de quase 3 anos percebo meu amadurecimento não apenas em relação à doença mas em toda minha vida. Isso ocorreu também pela troca aqui existente. E-mails de pessoas me apoiando e outros em que pude apoiar alguém, isso é transformador e tocante.

Existe um colega próximo passando pela mesma doença, mas no caso dele, ninguém sabe. Apenas um amigo em comum sabe e veio falar comigo por conta de sua preocupação. Hoje passei por um momento típico de seriado pois, diante de uma situação, não consegui mais aguentar este fardo e comentei com um outro amigo nosso com a intenção de conseguirmos fazer algo para ajudar. Sei que cada um leva a doença da sua forma, mas diante de pesquisas que venho fazendo, minha maior luta é justamente para a redução deste preconceito existente no portador do vírus. Me sinto com as mãos atadas e impossibilitado, justamente eu que consegui ter um alcance muito bom devido ao blog e minha postura, não sei como ajudar alguém tão próximo. Que sensação ruim. Não vou passar por cima do desejo dele, não irei confrontá-lo, mas tentarei ficar atento pois me preocupo.
Muitas vezes o silêncio é uma forma de lidar com situações complicadas, mas também pode ser uma maneira angustiada de pedir ajuda! Espero que fique bem... e me desculpe =/

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Orgulho


Quando se tem uma família como a minha, que sempre me apoiou, que me ama e se preocupa comigo, acho que é natural buscarmos uma forma de deixá-la orgulhosa.
Existe uma data chegando, uma data extremamente importante. Vou conhecer meu sobrinho e meu outro irmão acaba de pedir sua namorada em casamento. Meu pai esta radiante e por isso resolveu festejar.
Também estou radiante e já conversei sobre isso com uns primos e até comentei por alto com minha terapeuta, mas existe uma dor, uma dor que racionalmente sei que não deveria estar ali, mas não consigo controlar. Meus pais estarão naquele momento orgulhosos de meus irmãos, mas e de mim? Quando vou conseguir deixá-los orgulhosos?
Talvez seja - hoje - uma de minhas principais metas. Quero poder retribuir todo este amor, toda esta dedicação que encontro em minha família. Quero um dia levar um sorriso sincero e que possam ter orgulho de mim. Não quero que pensem que erraram ou falharam, pois isso não é verdade. Mas sempre acho que o fato da doença nunca vai deixar que fiquem 100 % orgulhosos de mim. Tá, sei que não devo pensar assim, mas como já disse, é incontrolável, pois na verdade não penso. Eu sinto, e isso aperta aqui dentro. Mas entendo que é uma questão comigo e não com eles. Sei que em algum momento nesse dia que se aproxima eu irei engolir uma lágrima, mas como bom otimista vou olhar para os lindos olhos de meu sobrinho e sorrir. Quero gargalhar tão profundamente como as crianças são capazes de fazer e nesse momento sei que não estarei preocupado, quero sentir-me livre e mesmo que por um instante ser capaz de visitar a Terra do Nunca.