terça-feira, 18 de setembro de 2012

Grande Maurício!



Proposta do gibi é ajudar a disseminar informação e combater o preconceito (Foto: Divulgação)
A Turma da Mônica ganhará dois personagens especiais. Saudáveis, Igor e Vitória levam uma vida normal, e são portadores do vírus HIV/AIDS. A publicação pretende abordar as formas de infecção da doença, o que é o vírus, como conviver com crianças soropositivas, e o impacto social causado pela patologia.
“Uma criança portadora do vírus HIV/AIDS, por exemplo, não tem culpa de ter contraído o vírus e é vista com receio pelos próprios coleguinhas e seus pais. Por essa razão precisamos já promover sua inclusão junto aos seus colegas na escola. Serão adultos melhores”, afirma o cartunista Maurício de Souza.
A tiragem inicial, de 30 mil cópias, será distribuída gratuitamente em brinquedotecas, nas pediatrias dos hospitais da Rede Amil, postos de gasolina da Rede Petrobras e em hospitais públicos da Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal. Em 2013, a publicação deve ser lançada em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife.

É disso que eu to falando... abordar mais o tema e não apenas com o intuito da prevenção - que de fato é importante - mas também os efeitos e todo o lado social do assunto. Super apoiado. Quero muito ver esse material, se alguém do Distrito Federal quiser fazer a gentileza... (rs)
Quando Criança eu era o Cebolinha... agora terei que ser o Igor então?!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Respirar fundo


Quando você pensa que está forte o suficiente para acreditar que as crises e surtos de 5 minutos (ou mais) não irão incomodar, eis que você enxerga a verdade. Que fique claro, minha vida é quase normal. Mas não consigo ignorar os fatos.
Passei por dias difíceis sim, e ainda não está tudo bem. Mas depois que você consegue respirar fundo a dor fica mais amena. Sua estrutura consegue, aos poucos, voltar ao eixo.

Percebo agora que não são os surtos que diminuíram. Acho que é a capacidade de aguentar esta dor que aumentou. Com isso vou segurando por mais tempo, pelo máximo que consigo. Mas é necessário colocar para fora esse acúmulo, do contrário até a respiração fica incomodada.

sábado, 8 de setembro de 2012

Meu Desejo


Eu me enganei e agora não sei como consertar isso.
Sou muito racional e sempre fui. Desde novo eu sabia que a profissão de ator era muito inconstante e por isso comecei a estudar e a me dedicar cedo. Acreditei, de verdade, que o esforço valeria a pena, mas que com 30 anos eu poderia ter uma vida. Ser realmente independente de tudo e todos, e mais do que isso, que eu poderia estar ampliando esta minha vida. Acreditei que com 30 estaria com uma casa e poderia constituir uma família, sonhei com isso, desejei isso. Não me importava se me casaria com mulher ou com homem, eu seria um pai de família e teria meus filhos. Daria um jeito para isso... Realizaria meu maior objetivo...
Mas hoje, hoje não me aguento de tanta dor. Talvez o "Inferno Astral" esteja ajudando, mas não quero comemorar nada. Meu aniversário chegando e estarei com 28. Me olho no espelho e só o que eu vejo é alguém sem nada. Alguém galáxias de distância do que esperava da vida. Não quero parabéns.
Com o HIV eu aprendi - de certa forma - a lidar, mas e com minha vida toda? Hoje eu não danço mais, hoje eu raramente estou em um palco, hoje eu não sei mais quem sou e muito menos para onde eu vou. Tenho centenas de pessoas ao meu redor, mas no fundo estou sozinho, e assim foi durante esses quase 28 anos. Orgulho-me do ser humano que me tornei, mas não me orgulho da minha vida. Me esforço muito para demonstrar minha gratidão para cada pessoa que me ajudou, e passarei a vida fazendo isso, pois sou realmente grato por cada um. Mas não dá mais, não consigo mais. Acordo todo dia tirando uma energia que não sei de onde para me agarrar nas coisas que eu tenho, mas não sei... Não sei... Não sei de absolutamente nada...
Hoje eu queria acordar e ser como era antes. Ser quem eu era. Hoje eu queria ser feliz. Não quero festa, queria passar sozinho. Só queria o bolo e vela, para eu apagar desejando parar de sobreviver e poder voltar a Viver.

Existir cansa!


Estou cansado, na verdade exausto. Não quero dó de ninguém, Deus me livre, mas existe uma diferença enorme entre isso e o simples fato de não esquecerem o que tenho. Não sou o mesmo que era 3 anos atrás, e não teria como. Para tentar ao menos ser algo próximo é necessário um esforço enorme. Não só mental, mas físico mesmo. E isso cansa, muito. Sorrir cansa. Manter o corpo atento cansa. O olhar focado cansa. A energia na voz cansa. Cuidar da minha aparência cansa. Lutar com os problemas financeiros cansa.
Hoje, em muitos momentos, a felicidade dos outros não me faz muito bem. Entendam que não tenho inveja, -é bem diferente - tenho tristeza por mim. O fardo está pesado. Não quero estar em festas e outros eventos, pior ainda se for um dia tenso e estiver sozinho.
Não sei exatamente porque to dizendo isso, só estou cansado. Hoje é um daqueles dias que eu não queria existir, ou quem sabe existir em um mundo paralelo... Uma outra vida talvez.

sábado, 1 de setembro de 2012

CTA São Bernardo do Campo - Exemplo


Quando conheci meu diagnóstico fui direto ao serviço público de saúde entender o que iria acontecer comigo a partir daquele momento. Fui, principalmente, por ter como norte a informação da estrutura brasileira para o serviço do HIV/AIDS. Desde então não abri mão do serviço público de saúde. Confesso que para outras especialidades e os exames laboratoriais opto pela utilização do meu plano de saúde, mas para o acompanhamento com o infectologista gosto do serviço que me é prestado. Acho importante frequentar esses espaços não somente pela qualidade e avaliação constante do serviço oferecido, mas também para manter meus pés no chão, conectado com outras histórias e realidades.

Esta semana tive a oportunidade de conhecer o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) de São Bernardo do Campo - SP. Fui para conversar com alguns dos responsáveis do programa e me deparei com uma estrutura exemplar. Começando pelos corredores e cores das paredes, pode parecer bobeira, mas faz uma grande diferença estar em um local que te conforta. Boas salas de atendimento e o que mais me impressionou: Uma academia com um fisioterapeuta muitíssimo atencioso e focado em ajudar, já que o foco lá é, além da qualidade de vida, cuidar de problemas como a lipodistrofia. ( apareci de "surpresa", por isso vi o funcionamento de verdade) e também uma sala odontológica para resolver os problemas de saúde bucal. 

Fiquei realmente impressionado, ainda mais comparado com as coisas que já vi relacionadas à este assunto. Um exemplo a ser seguido. 

Enquanto estava lá observei um rapaz chegando bem tenso para fazer o teste rápido. Ao sair da sala, um bom tempo depois, pude concluir o resultado de seu exame. Lembrei de como recebi o meu, e respirei aliviado pelo rapaz ter tido toda esta estrutura lhe dando suporte.