quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Corrente do Bem


" Quando seguimos nosso coração, quando escolhemos não fechar acordos... É engraçado, não? Um peso a menos. O sol brilha um pouco mais. E, pelo menos por um momento... Nós encontramos um pouco de Paz"


Grey's Anatomy



Quando decidi compartilhar minha condição com as pessoas próximas vi muita coisa boa nascer disso. Vi alguns amigos que levaram esta mudança de olhar para suas vidas pessoais, e outros mais do que isso, para suas vidas profissionais também. Acredito muito no conceito da Corrente do Bem.
Hoje venho celebrar um pouco isso. Um grande e querido amigo me disse mais ou menos isso um tempo atrás:
 "... Depois de tudo isso não consigo ser o mesmo. Você me mudou. Questiono muito hoje sobre minha posição no mundo..." 
Um tempo depois ele me disse que havia deixado um de seus empregos e estava se empenhando em um novo projeto com mais dois sócios. Eu achei bom, gosto quando as pessoas mostram coragem para seguir seus sonhos, seu coração. Meses atrás ele me chamou para conversar, nem imaginei o que era. Disse que queria me mostrar o projeto dele, mas que estava receoso com o que eu poderia dizer. 
Quando eu vi o modelo do site fiquei muito mexido, por milhões de motivos, mas o mais forte foi sentir que era possível transformar coisas ruins em boas. Era possível tocar as pessoas. Unir trabalho com objetivos bons. Ele estava ali me mostrando os conceitos do "Amizade Positiva". O primeiro site de Relacionamentos do Brasil para Doentes Crônicos. 
Achei a proposta incrível, ainda mais quando ao pensar em internet sempre temos a sensação de desconfiança, mentira e omissão. Isso tudo nós, doentes crônicos, já passamos diariamente e esta é a oportunidade de encontrarmos um pouco de paz. A chance de conhecer amigos e futuros relacionamentos amorosos embasado na sinceridade com relação ao nosso diagnóstico. Oportunidade de conversar com pessoas que enfrentam dificuldades parecidas, e também a oportunidade de nos mantermos informados sobre nossa doença. 
Iniciativa mais do que aprovada. Indico - com certeza - para todos aqueles que querem ver o sol brilhar um pouco mais. Somos humanos. O amor e o contato devem existir sempre, independente do que carregamos conosco. Vale a pena acreditar. Só nos resta passar adiante esta corrente... Para conhecer este maravilhoso projeto clica aí do lado, já está no ar!! 

domingo, 7 de outubro de 2012

Nada... Tudo!!



No meu aniversário de 2010 eu ainda não tomava remédio algum... Não tinha inserido na minha rotina o HIV de uma forma mais ampla. Havia acabado de voltar a estudar e estava tentando entender tudo que estava acontecendo comigo. Muita gente não sabia de mim e eu buscava muitas respostas para tantas perguntas. Tinha muita energia para esconder, disfarçar e sorrir muito. Tinha medo de ficar tocando no assunto com minha família, tinha medo de fazer eles sofrerem mais... Tinha medo de eu sofrer mais. Foi neste ano que me apaixonei pela segunda vez na vida, tive momentos bons, mas também comecei a entender as complicações que meu diagnóstico iria trazer. Na data oficial eu saí com uns amigos e revi pessoas. Não me lembro de muitos presentes.
Já em 2011 muita coisa havia se transformado. Lembro-me de ter acordado e arrumado minha mochila. Nem na aula eu fui. Saí sozinho e segui rumo ao Rock in Rio. Foi bom, mas também estranho. Estava lá sozinho... Observando tudo e aproveitando o que conseguia. Mais tarde uma amiga chegou. Pode não ter nenhuma relação, mas fazer aniversário no dia do show em homenagem ao Legião Urbana, cantar e deixar as lágrimas escorrerem na hora do "... há tempos são os jovens que adoecem..." foi realmente marcante. Lavei a alma nesta data querida..
2012... tudo muito estranho. Muito mudado. Dias antes da data eu surtei, não queria comemorar, não encontrava motivos para isso. Fico mais velho e ainda assim continuo com grandes problemas financeiros. Estou encerrando a faculdade e os medos e incertezas - normais nesta fase - batem cada vez mais forte. Respostas que aguardo tem um tempo ainda não foram respondidas. Um ano onde me apaixonei pela terceira vez e os problemas se repetiram. Sofri, chorei e acreditei que daria certo. Passei por isso... Tá, não passei, to passando... Tentando. Ano em que fiquei como nunca de frente para a minha doença, ano em que me sinto mais forte e tranquilo para falar sobre ela. Ano em que pequenas coisas ganharam grandes proporções. Em que sonhos voltaram a nascer, junto com a dor e a angústia. Ano em que enxerguei  meu crescimento, meu amadurecimento. Hoje, nesta data, eu começo a ver a coragem muitas vezes repetida pelos lábios das outras pessoas. Hoje eu acredito em algumas pessoas, acredito em algumas coisas. Grande presente este...voltar a acreditar... Os outros presentes? Ganhei muitos e bons. Ganhei momentos e pessoas. Parabéns.