domingo, 7 de outubro de 2012

Nada... Tudo!!



No meu aniversário de 2010 eu ainda não tomava remédio algum... Não tinha inserido na minha rotina o HIV de uma forma mais ampla. Havia acabado de voltar a estudar e estava tentando entender tudo que estava acontecendo comigo. Muita gente não sabia de mim e eu buscava muitas respostas para tantas perguntas. Tinha muita energia para esconder, disfarçar e sorrir muito. Tinha medo de ficar tocando no assunto com minha família, tinha medo de fazer eles sofrerem mais... Tinha medo de eu sofrer mais. Foi neste ano que me apaixonei pela segunda vez na vida, tive momentos bons, mas também comecei a entender as complicações que meu diagnóstico iria trazer. Na data oficial eu saí com uns amigos e revi pessoas. Não me lembro de muitos presentes.
Já em 2011 muita coisa havia se transformado. Lembro-me de ter acordado e arrumado minha mochila. Nem na aula eu fui. Saí sozinho e segui rumo ao Rock in Rio. Foi bom, mas também estranho. Estava lá sozinho... Observando tudo e aproveitando o que conseguia. Mais tarde uma amiga chegou. Pode não ter nenhuma relação, mas fazer aniversário no dia do show em homenagem ao Legião Urbana, cantar e deixar as lágrimas escorrerem na hora do "... há tempos são os jovens que adoecem..." foi realmente marcante. Lavei a alma nesta data querida..
2012... tudo muito estranho. Muito mudado. Dias antes da data eu surtei, não queria comemorar, não encontrava motivos para isso. Fico mais velho e ainda assim continuo com grandes problemas financeiros. Estou encerrando a faculdade e os medos e incertezas - normais nesta fase - batem cada vez mais forte. Respostas que aguardo tem um tempo ainda não foram respondidas. Um ano onde me apaixonei pela terceira vez e os problemas se repetiram. Sofri, chorei e acreditei que daria certo. Passei por isso... Tá, não passei, to passando... Tentando. Ano em que fiquei como nunca de frente para a minha doença, ano em que me sinto mais forte e tranquilo para falar sobre ela. Ano em que pequenas coisas ganharam grandes proporções. Em que sonhos voltaram a nascer, junto com a dor e a angústia. Ano em que enxerguei  meu crescimento, meu amadurecimento. Hoje, nesta data, eu começo a ver a coragem muitas vezes repetida pelos lábios das outras pessoas. Hoje eu acredito em algumas pessoas, acredito em algumas coisas. Grande presente este...voltar a acreditar... Os outros presentes? Ganhei muitos e bons. Ganhei momentos e pessoas. Parabéns.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu mencionaria um outro verso, do Cazuza: "Senhoras e senhores, trago boas novas... eu vi acara da morte e ela esta viva..."