segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O tempo passa... O tempo voa... Mas algumas questões persistem.


Nossa, confesso que nem lembro a última vez que escrevi por aqui. Claro que tenho uma razão para isso. Decidi falar sobre as implicações do HIV na minha vida e aos poucos foi virando mais "natural"esse contexto, até mesmo por minha exposição. 
Mas hoje tomei a decisão de voltar para cá e um dos motivos é que continuo recebendo mensagens semanalmente com dúvidas e histórias compartilhadas. Algumas coisas aconteceram e é importante ser dito.

Como já informado, minha medicação (depois das duas tentativas onde me descobri alérgico aos medicamentos) permanece com o Kaletra e Truvada. E o que isso alterou em minha rotina depois de quase 5 anos? 

Apesar de mais ameno, continuo com sérias questões intestinais, continuo com risco de abcessos anais e continuo sofrendo com o constrangimento por esses problemas. pensava que até aí, ok, eu aprenderia a lidar. Mas uma coisa me assustou muito. O kaletra aumenta - e muto no meu caso - o TRIGLICÉRIDES. Apenas para entenderem, o normal seria até 150... 200. O meu já chegou a quase 1000!
Claro que nem tudo é culpa da medicação, acabei somando aí uma fase com menos atividade física e uma alimentação que dependia muito de produtos industrializados.

Segurei essa alimentação, voltei a dançar e ele caiu bem, mas ainda assim permanece acima do normal. Tomei a decisão de conversar com meus médicos para a solicitação da troca de medicação. Geralmente é realizada essa troca quando há falha no funcionamento dos remédios com relação ao cd4 e a carga viral, mas disseram que iriam tentar a troca em meu caso que engloba questões tanto de efeitos colaterais e alterações na saúde, como na parte pessoal e psicológica.

Bom, foi apenas para contar sobre isso. Aguardando a resolução disso tudo para, mais uma vez, me adaptar aos remédios.... enquanto isso mantenho o mesmo!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014


O espetáculo de dança contemporânea "Da Razão do Vermelho", baseado neste blog e livro, só foi possível graças ao apoio financeiro de muitas pessoas. O Projeto continua crescendo e , além da continuidade do espetáculo de dança, iniciamos outros dois projetos: a adaptação do livro para o teatro, com direção de André Grecco e no elenco Eu (Rafael Bolacha) e Felipe Lwe e a intervenção teatral PositHIVismo com supervisão e orientação de Bete Dorgam e os atores/criadores Rafael Bolacha, Jota Rafaelli, Carla Mercado e Laís Trovarelli.

Para essa realizações, venho novamente pedir a colaboração de todos. Qualquer quantia pode nos ajudar com o pagamento de salas de ensaio, custos de produção, figurinos, cenário, etc.

Conheça nossa vaquinha e ajude essa causa tão importante!

Obrigado!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

The Normal Heart ou Momento de Vida


Quando decide fazer o blog, em janeiro de 2010 escolhi, como identidade, não ser um blog de perfil informativo. Decidi que seria pessoal e relataria pensamentos, dores e questões ligadas ao fato de eu ser soropositivo. Esse foi o motivo de manter certa distância daqui nos últimos tempos. Foco sempre no fato de não considerar minha vida "normal" como muitos pensam ou desejam. Claro que hoje tenho uma qualidade de vida boa, me cuido muito bem e isso demanda um esforço enorme e bem diferente da maioria das pessoas ao meu redor. Ainda tenho problemáticas com os efeitos dos meus remédios, ainda tenho questões financeiras, ainda tenho exames aletrados e que merecem minha atenção, ainda tenho questões delicadas no aspecto relacionamento mas ao pensar em meus primeiros 3 anos ao me descobrir portador do HIV, nem se compara.

Decidi esse caminho virtual, inicialmente para colocar meus sentimentos em um lugar onde eu pudesse ler e assim tentar ver de outros ângulos com a intenção de me conhecer, de me entender. Aos poucos ele foi ganhando forma e dialogando com outras pessoas o que fez com que eu me transformasse nesse período. O meu projeto "Uma Vida Positiva" leva esse nome pois ele parte de uma vida, a minha. Sei que com o livro e o crescimento do projeto e o fato de ele ganhar mais espaço eu tenho um novo trabalho, trabalho que venho fazendo aos poucos. O de transformar algo individual em coletivo, em refletir e entender essa diferença.

Sim, estive em jornais, revistas, tv e rádio. E aprendi a ficar feliz e orgulhoso por isso, reflete a atenção ao trabalho que venho executando. Trabalho que existe graças a minha formação como ator, como bailarino, artista e produtor. Mas esta semana estive como convidado no Seminário Nacional LGBT no Congresso em Brasília.

Cheguei lá e logo de cara achei tudo muito confuso, um monte de gente indo e vindo. Não sabia como seria, não sabia quanto tempo iria falar, não sabia quase nada. Anunciaram-me na mesa, mesa em que estavam: Richard Parker (presidente da ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS ); Dra. Adele Schwartz Benzaken representado o Ministério da Saúde; Dra. Valdiléa dos Santos, Infectologista da FIOCRUZ; Sandra do Valle, presidente do grupo Vitamore; O Deputado Jean Wyllys; E eu!

Todos mais velhos e experientes em situações como essa, e eu ali sem nem papel, nem caneta e nem slides para apresentar. Usei o mesmo mecanismo que utilizo aqui. Minhas palavras e minha sinceridade. Foi um momento único e incrível. Saber que estava ali com uma responsabilidade tão grande não me assustou (como cheguei a cogitar que poderia acontecer), me encorajou, me fortaleceu.

Agora vamos ao título do post!

Depois de retornar para minha casa consegui assistir online o novo filme da HBO: "The Normal Heart"
Fiquei incrivelmente emocionado, tocado. Uma história, uma produção e um elenco que juntos, realizaram um belo e forte resultado. Da mesma forma que algumas vezes volto ao blog para rever posts antigos, o filme é bem datado e se foca bem entre o início de 1981 até 1983. A sensação é de que não passou tanto tempo como a sociedade vem sentindo. Alguns anos atrás a doença atacava os homossexuais masculinos, depois chegou aos heterossexuais, passamos por jovens, mulheres de meia idade, idosos e novamente os jovens homossexuais masculinos estão em foco. Resumindo, um vírus que passa por toda a sociedade. Claro que sabemos muito mais do que antes, que encontramos formas de lutar contra, que reduzimos os efeitos físicos, emocionais e psicológicos, que tentamos reduzir o estigma... Mas a luta não acabou! Somente esta semana nossa presidente sancionou a lei que torna crime discriminar portadores do HIV; As pessoas ainda não fazem exames periódicos; O estigma ainda permanece na sociedade; Ainda não conseguimos distribuir preservativos na escolas e muito menos entrar para conversar com alunos; Ainda hoje os danos psicológicos e sociais são enormes; Ainda hoje questões de relacionamentos não são as mais simples.

Durante a minha mesa no Seminário falou-se da falta de divulgação sobre os efeitos dos remédios. Em uma cena do filme um dos personagens, já bem debilitado acaba, desculpem o termo, "se cagando" todo e tenta chegar ao banheiro. lá ele chora e sente dores.

Ainda hoje o efeito colateral dos meus remédios (a combinação de Kaletra e Truvado) é o ataque ao meu intestino. Tem dias que as cólicas incomodam muito e acabo indo ao banheiro diversas vezes... Naquele momento, sentado no vaso sanitário, sozinho, com dores não tem como não me sentir fraco, não tem como não lembrar da minha realidade ao não ser possível controlar meu próprio corpo.

Como disse lá em Brasília. "Temos um contexto histórico importante, mas temos que pensar daqui para a frente".

       

sexta-feira, 7 de março de 2014

More Than This


Nossa,  quanto tempo... Tantas coisas mudaram, acredito que eu também mudei nesse tempo. Hoje estou aqui, em minha nova casa em São Paulo, sem tv ou internet, mas com uma boa sensação, sensação de mudança, de coisas novas. É... Feliz sim, com medo – óbvio – mas faz parte.
Recentemente pensei em algumas pessoas e hoje decidi rever um dos meus filmes favoritos “Shelter” (no Brasil ficou como De repente Califórnia). Gosto de rever filmes e sempre que vejo alguns consigo observar coisas novas e ver mudanças em mim que modificam o meu olhar, acho isso importante em tudo na vida. Gosto do filme, pois ele traz uma boa perspectiva de um relacionamento. Lembro-me que enviei o filme para meu irmão e minha cunhada assistirem uma vez, quando terminaram vieram falar comigo, claro que em tom de brincadeira meu irmão disse: Poxa, que nojo (rs), porque queria que víssemos o filme? Respondi: - para começarem a ter referências positivas de relacionamentos homoafetivos. O que chega para o grande público são sempre filmes tristes, relacionados à doenças, morte e sofrimento. É necessário iniciar essa fase, trazer essas referências.
Bom, mas diante deste filme relembrei questões do passado, pessoas e como bom saudosista CLARO que me deu um aperto, mas meu lado otimista não deixa de acreditar nas possibilidades, na felicidade.
Depois de minha aparição na Gabi tenho conhecido muitas pessoas, outros tantos por e-mail ou mensagem em minha página e muitos temem perder a possibilidade de relacionamentos ao se descobrirem soropositivos. É fato que não é a coisa mais simples, mas é fato também que é POSSÍVEL . Todos nós merecemos o amor, mas antes de buscar fora temos que achar ele aqui dentro, nos aceitar e nos preparar.

“... I was standing in the rain, had my face in the mirror
And made nothing into bliss
And I found losing was just a trend
Yeah is there more than this?

More than this – Shane Mack


Trecho da música do filme citado e que se parece com muitas mensagens que recebo. Se tem mais do que isso? Se você merece mais?
É claro que sim!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Dia Mundial de Combate! Bate-Papo no Rio


Convido você para participar do Bate-papo no dia Mundial de Combate à AIDS!
Estarei às 18h na Livraria Sabor literário no Leblon, Rio.

Aguardo sua participação para conversarmos sobre as questões atuais de viver em sociedade sendo portador de uma doença crônica!


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Desabafo!


Este é o "assunto" de alguns e-mails que troco com um dos leitores.

A conversa com ele me estimulou escrever aqui e por isso, obrigado rapaz de brasília ;)

Sobre os vários questionamentos, confrontos e descobertas, palavras e sensações como sonhos, medo, tristeza e luta brotam nos textos. Não há como não lembrar do meu início por aqui.
Demorei um pouco para responder um e-mail e tamanha alegria em saber que os questionamentos feitos por ele, foram respondidos dias depois pelo mesmo. Publico aqui trechos da minha resposta para ele, por acreditar na importância dela:

Essa é a maior prova garoto, o maior clichê, porém o mais verdadeiro. O tempo é sábio, e nossa meta é tentar correr atrás dessa sabedoria, como? Não desistindo, não nos esquecendo de detalhes e aprendizados antigos.
Este final de semana recebi a notícia de que um conhecido, que também tinha o vírus, faleceu. Fiquei um pouco passado com isso. Se tive ou tenho medo? Claro que tenho, mas isso não será motivo para me parar, pois por alguns anos eu me olhei no espelho e não reconheci o garoto magrelo, alegre e sonhador. A única coisa eu eu sabia é que tinha que lutar, quis desistir algumas vezes, abrir mão, jogar tudo para o alto... mas nesse tempo que fui me conhecendo apenas confirmei onde estava minha alegria. Sei quem sou, sei o que quero e não... esse vírus não vai tirar isso de mim! De NÓS!!
Fique bem rapaz, se cuide, mantenha os pés no chão, mas sempre que possível... Sonhe! ;)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

"Vaquinha" para ajudar o projeto!


O Projeto "Uma Vida Positiva" vem pedir a ajuda dos amigos.

O Coletivo Ver [mais] surge com o intuito de transformar questões presentes na nossa sociedade em arte e movimento. Profissionais de diversas idades, experiências e expectativas uniram-se para realizar seu primeiro trabalho juntos. "Da Razão do Vermelho" pretende abordar de forma sensível e criativa uma temática pouco explorada e que necessita de grande atenção, o HIV e outras questões como preconceito e aceitação. Bailarinos e atores pretendem criar um espetáculo com a capacidade de atingir o expectador de forma sensível e objetiva. Baseado em trechos do livro "Uma vida positiva" do autor Rafael Bolacha.

Precisamos adiantar a produção com a compra de microfones que fazem parte do cenário, realizar projeto gráfico, pagar salas de ensaios e outras necessidades do projeto. Toda ajuda é importante!

Entre no Link e participe de nossa Vaquinha!
Obrigado!